A poucos dias do arranque do novo ano letivo, os pais dos alunos e alunas que estavam inscritos nas turmas de música e dança foram informados pelas escolas de ensino artístico de que não há verbas para ensinar os seus filhos.
O ministério da Educação (MEC) alterou este ano as regras de financiamento do ensino artístico e agravou os cortes. Na semana passada, muitas escolas foram informadas de que iriam receber ainda menos verbas do que esperavam. O ensino artístico é garantido maioritariamente por 97 escolas privadas através de contratos de patrocínio, celebrados com o MEC.
Suzana Batoca, diretora executiva da Academia de Música de Almada (AMA), declarou à Lusa: "Só na região de Lisboa e Vale do Tejo, há um corte entre os 25 e os 40%. Na minha escola, por exemplo, tivemos uma redução de 136 mil euros. Há escolas que devido aos cortes, comparativamente com o ano passado, perderam 200 alunos".
"Todas as escolas vão recorrer destas decisões", disse Suzana Batoca à Lusa, alertando ainda para a possibilidade de alguns estabelecimentos de ensino, professores em nome individual ou encarregados de educação poderem vir a impugnar o concurso.
Pais, professores e estudantes vão concentrar-se no próximo dia 18 de setembro, às 11 horas junto ao MEC, na Avenida 5 de outubro em Lisboa.
A diretora da AMA diz que a concentração é para exigir que "pelo menos seja dada a possibilidade às escolas de manter o número de alunos que tinham no ano passado".
A concentração será semelhante à realizada em fevereiro passado (ver notícia e fotogaleria no esquerda.net) e a Plataforma do Ensino Artístico Especializado está também a planear a realização de concertos em todas as escolas no dia 1 de outubro, Dia Internacional da Música. Além disto, muitos pais com filhos retirados das turmas estão a enviar cartas ao MEC.