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Mais de mil produtores de leite manifestaram-se esta quarta-feira em Vila do Conde, em frente à fábrica da Lactogal, para reivindicar o aumento do preço do litro de leite que lhes é comprado.
Carlos Neves, presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Leite, disse que os problemas do sector são bem conhecidos mas que ninguém se mostra disponível para os resolver.
“A indústria reconhece a dificuldade, a distribuição diz que está muito preocupada, o Governo está muito preocupado, o país está todo preocupado, mas ninguém resolve”, observou.
Os produtores apelaram à "indústria para que se entenda com a distribuição”, para que o litro de leite pago ao produtor possa ter o preço aumentado.
Carlos Neves recordou que os produtores pedem "cinco cêntimos de aumento por litro de leite vendido à indústria para poderem sobreviver".
"O preço da ração disparou e, como não há sinais de um entendimento, tivemos que sair para a rua", disse.
Bloco de Esquerda saúda produtores
Em nota à imprensa, o Bloco de Esquerda afirmou acompanhar as preocupações dos produtores de leite e saudou a sua determinação de lutar pela manutenção da actividade, “tão importante para a capacidade nacional de aprovisionamento agro-alimentar, mas também para a sobrevivência de milhares de famílias nas principais bacias leiteiras do país e um pouco por todo o mundo rural”.
No entender do Bloco, “as dificuldades e o nível de descapitalização das explorações são de tal forma generalizadas e intensas que a sobrevivência de muitas depende de um plano de emergência para o sector que inclua a abertura de uma linha de crédito de longo prazo para os produtores, a disponibilização de fundos comunitários (Proder) para apoio à reconversão das explorações, nomeadamente para o processo de legalização, e uma política pública que promova os preços agrícolas justos no produtor e combata as margens comerciais abusivas.”
O Grupo Parlamentar apresentou e procurará agendar para breve o debate do Projecto Lei n.º 104/XI/1ª, que enfrenta um dos factores que acentua as dificuldades dos agricultores, que se prende com práticas agressivas por parte dos circuitos de distribuição e comercialização que levam ao pagamento à produção com valores abaixo dos próprios custos de produção.
Estas práticas agressivas e injustas, para além de prejudicarem a produção, também não beneficiam os preços finais ao consumidor, argumenta o Bloco. Pelo contrário, estes preços mantêm-se elevados, o que revelam a existência de margens injustificadas no circuito.
O Projecto de Lei apresentado pelo Bloco pretende promover preços agrícolas justos no produtor e combater margens comerciais abusivas.