A Human Rights Watch (HRW)publicou esta quinta-feira um relatório de 179 páginas sobre a deliberada privação do acesso à água por parte de Israel aos palestinianos em Gaza desde outubro do ano passado. Segundo este documento, as autoridades israelitas cortaram e depois restringiram o acesso à água canalizada, tornaram inoperacional toda a infraestrutura de água e saneamento de Gaza com os cortes de energia e combustível e deliberadamente destruíram e danificaram essa mesma infraestrutura e os meios para a sua reparação. Além de tudo isto, bloquearam a entrada de água potável no território.
“A água é essencial para a vida humana, mas ainda assim ao longo de mais de um ano o governo israelita negou deliberadamente aos palestinianos em Gaza o mínimo essencial que precisam para sobreviver”, afirmou Tirana Hassan, a diretora executiva da HRW. Para esta responsável, “isto não é apenas negligência; é uma política calculada de privação que levou à morte de milhares por desidratação e doença, o que e nada menos do que um crime contra a humanidade de extermínio e um ato de genocídio”.
Médio Oriente
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Israel cortou a entrada de eletricidade e combustível em Gaza logo no dia dos ataques do Hamas a 7 de outubro de 2023. Dois dias depois, o então ministro da Defesa Yoav Gallant - que tal como Netanyahu é alvo de um mandado de captura do tribunal Penal Internacional por crimes contra a Humanidade - anunciava o “cerco total” a Gaza, afirmando que “não vai haver eletricidade, nem comida, nem água, nem combustível, acabou tudo”.
O corte da água e bloqueio à entrada de combustível, comida e ajuda humanitária na Faixa de Gaza não durou apenas durante as primeiras semanas de bombardeamentos e invasão, mas prosseguiu mesmo após o Tribunal Internacional de Justiça ter decretado medidas e dado ordens a Israel para proteger os palestinianos de atos de genocídio, especificando em março deste ano que tal incluiria o restabelecimento do acesso à água, comida, eletricidade e combustível.
A HRW cita também declarações das Nações Unidas a atestar que a população do norte de Gaza não teve acesso a água potável durante mais de cinco meses, entre outubro de 2023 e abril de 2024. Até agosto, a população de Gaza ainda não tinha acesso à quantidade mínima de água de que necessitam para sobreviver em situações de emergência prolongada. Desde então o acesso à água aumentou, mas a maioria da população continua sem um acesso adequado à água para beber e cozinhar, aponta esta ONG.