Realizaram-se 4 conferências e 9 workshops temáticos que envolveram 274 pessoas. Fizeram-se representar 49 organizações e 5 redes europeias de 14 países europeus, do Brasil e do Canadá.
Na sessão de abertura, Miguel Urbán (eurodeputado do GUE/NGL – Podemos) valorizou o processo de debate alargado que decorreu ao nível europeu e que serviu para preparar o Fórum e para perspetivar o futuro. Considerou o eurodeputado que o Fórum não é um evento, mas sim um processo que irá continuar, prevendo-se o II Fórum Europeu da Economia Social e Solidária para o próximo ano.
Referiu-se à Economia Social e Solidária como um “setor que mostrou enorme capacidade para resistir à crise económica e financeira e às políticas europeias austeritárias e que gera bem-estar social, cria emprego de qualidade, respeita o ambiente e promove o empoderamento dos mais excluídos”.
Miguel Urbán disse ainda que “o sistema económico atual é predador das pessoas e do ambiente e é preciso criar modelos estratégicos que nos envolvam a todos para o desenvolvimento sustentável”.
Para o eurodeputado do Podemos “basta de sacrifícios para concentrar cada vez mais o capital predador, estando nas nossas mãos que a economia social e solidária possa colocar um grão de areia para suster este sistema, trabalhar em conjunto e construir coletivamente um mundo alternativo e recuperar os espaços que nos foram roubados pelo capital predador”.
As principais intervenções no Fórum, como as de Jean- Louis Laville, Sílvia Ferreira, Rogério Roque Amaro, Ricardo Petrella, Alain Arnaut e José Luis Monzón, apontaram a economia social e solidária como um modelo económico e social alternativo ao sistema capitalista e neoliberal.
O período de crise na Europa e as severas políticas de austeridade sobre alguns países, nomeadamente Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda, mostram a capacidade de resiliência e de resposta das organizações da economia social e solidária. Importa, por isso, trazer para a agenda política europeia este tema.
A relação difícil entre a economia social e solidária e os novos programas europeus de promoção da inovação social foi especialmente referida por Sílvia Ferreira, da Universidade de Coimbra, de que é exemplo o programa piloto europeu “Portugal Inovação Social”.
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Alguns dos oradores do Fórum, entre os quais Miguel Urbán, Rogério Roque Amaro e Ricardo Petrella[/caption]
Um grupo de jovens lançou uma petição para que o ano de 2018 seja declarado Ano Europeu da Economia Social e Solidária.
Da Grécia veio um pedido de apoio para a definição de uma estratégia que permita ao povo grego comprar a sua própria companhia de águas, para evitar a privatização imposta pela Troika.
Nos diversos workshops foram apresentados inúmeros e diversos casos de boas práticas de intervenção da economia social e solidária.
Portugal fez-se representar por uma delegação composta por 12 pessoas de 7 organizações da ESS e dois investigadores, do ISCTE e do CES. A Animar apresentou no Fórum a proposta de criação de Observatórios dos Bens Comuns à escala nacional que se articulassem ao nível europeu num organismos junto do Parlamento Europeu.
Artigo de Carmo Bica, para esquerda.net