Presidente mexicano apela à revisão da política de drogas

11 de junho 2014 - 10:48

Em entrevista ao El País, Enrique Peña Nieto diz que a política global de drogas dos últimos 40 anos fracassou e aponta a legalização da canábis nalguns estados norte-americanos como um sinal da “inconsistência e incongruência” da política atual.

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Presidente do México quer que os EUA assumam a responsabilidade de se sentarem à mesa para rever a política de drogas na região. Foto Presidência do México/Flickr

Peña Nieto assume-se como um adversário da legalização das drogas, mas é o primeiro presidente mexicano em funções a defender uma revisão da política de drogas. Um dos seus antecessores, Ernesto Zedillo, integrou a Comissão Global sobre Política de Drogas que apelou à ONU que pusesse um ponto final na fracassada “guerra às drogas”.

O presidente do México defende que a política de drogas para a região deve ser definida como uma “política hemisférica”, com os Estados Unidos a terem “um papel chave”. “Parece que até agora não quis pegar o touro pelos cornos, como se costuma dizer”, criticou Peña Nieto, aludindo ao protagonismo dos EUA no combate ao tráfico de canábis e ao facto de “hoje, embora seja ilegal e esteja proibido, vemos que em vários estados já não é tão ilegal”. Para mais, acrescenta Peña Nieto, a legalização aprovada no Uruguai “não teve nenhum efeito ao nível da relação diplomática”.

Repetindo por várias vezes que sempre tomou posição contrária à legalização da canábis, Peña Nieto reconhece que ela é “um fenómeno crescente”. E que a política que foi seguida nos últimos 30 ou 40 anos trouxe “maior consumo e maior produção de drogas. Portanto é uma política falhada”, conclui, respondendo também ao paradoxo dos EUA financiarem os dois lados da “guerra às drogas”, quer através do apoio ao aparelho repressivo e militar dos países produtores, quer do financiamento aos narcotraficantes por parte do seu gigantesco mercado. “Sendo paradoxal e tão absurdo, é evidente que exige que se abra um debate sobre o tema. E logo veremos o que fazer ao assunto”, após analisadas as diferentes abordagens já implementadas noutros países.