Prémio Pulitzer de serviço público vai para a divulgação da vigilância da NSA

15 de abril 2014 - 2:00

As reportagens com base nas informações reveladas por Edward Snowden valeram ao Guardian e Washington Post o galardão mais importante do jornalismo norte-americano.

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Edward Snowden revelou a vigilância global da NSA e é perseguido nos EUA, enquanto os jornais que lhe deram voz recebem prémios por esse serviço público. Foto Henning Kaiser/EPA

Ambos os jornais (no caso do Guardian a edição eletrónica para os EUA, já que o prémio se destina a trabalhos publicados naquele país) foram considerados um “exemplo de meritório serviço público” por terem revelado “a vigilância secreta generalizada pela Agência Nacional de Segurança”. O Washington Post foi premiado pelos seus “relatos perspicazes e competentes que ajudaram o público a perceber de que forma as revelações se enquadram na discussão mais abrangente sobre segurança nacional”, enquanto o Guardian foi distinguido “por ter ajudado com as suas reportagens incisivas a suscitar o debate sobre a relação entre o governo e os cidadãos em assuntos relacionados com a segurança e a privacidade".

Entre outras revelações, a investigação dos dois jornais deu a conhecer a recolha em massa pela NSA dos dados das comunicações telefónicas de norte-americanos, as escutas a 35 líderes políticos mundiais, as “portas de entrada” instaladas no software de nove empresas gigantes que dominam a rede, como a Google ou o Facebook ou o acesso a comunicações encriptadas dos utilizadores da internet. 

Snowden: “Sem estes jornais, os meus esforços seriam em vão” 

Numa reação publicada no Guardian, o autor da fuga de informação que deram a conhecer a vigilância global da NSA sobre as redes de comunicações juntou-se à congratulação dos jornalistas premiados, Glenn Greenwald, Laura Poitras, Barton Gellmane Ewen MacAskill. “Esta decisão é um reconhecimento para todos os que acreditam que os cidadãos têm um papel na governação”, afirmou Snowden, sublinhando que os seus esforços teriam sido em vão “sem a dedicação, a paixão e a habilidade” de ambos os jornais premiados.

“Esta decisão lembra-nos que aquilo que uma consciência individual não consegue mudar, a imprensa livre consegue”, concluiu o ex-analista da CIA procurado pelas autoridades norte-americanas, atualmente a viver na Rússia.

Snowden enalteceu ainda “os esforços dos bravos repórteres e dos seus colegas que continuaram a trabalhar apesar de uma intimidação extraordinária, incluindo a destruição forçada de material jornalístico, o desadequado uso de legislação antiterrorismo, e de tantos outros meios de pressão com o objectivo de os travar num trabalho que o mundo reconhece hoje como sendo de importância pública vital”.

“Esta decisão lembra-nos que aquilo que uma consciência individual não consegue mudar, a imprensa livre consegue”, concluiu o ex-analista da CIA procurado pelas autoridades norte-americanas, atualmente a viver na Rússia.

Os prémios Pulitzer fazem parte do jornalismo norte-americano desde 1917 e na sua história já fazia parte uma medalha de serviço público atribuída à revelação de dados ultra-secretos: foi em 1972 quando o New York Times publicou os “Papéis do Pentágono”, revelando como a opinião pública norte-americana foi deliberadamente enganada acerca da estratégia de Washington no Vietname.