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Snowden acrescenta novo capítulo à ciberguerra contra a China

O New York Times e a Der Spiegel revelam este fim de semana o programa “Shotgiant”, criado pela agência de espionagem norte-americana NSA para monitorizar os utilizadores de tecnologia fabricada pela gigante chinesa Huawei.
O programa Shotgiant pôs os hackers da NSA a invadir as redes da Huawei para monitorizar as comunicações dos utilizadores da tecnologia desta marca. Foto Yi Shiang/Flickr

Segundo os documentos fornecidos a estes dois órgãos de comunicação social pelo antigo espião Edward Snowden, o programa “Shotgiant” pretendia explorar as ligações da Huawei ao exército chinês, mas também aceder ao equipamento vendido a outros países, fossem aliados ou adversários de Washington.

“Muitos dos nossos alvos comunicam com produtos fabricados pela Huawei”, dizia o documento da NSA, acrescentando que o objetivo seria assegurar que a agência saberia como fazer para aceder ao conteúdo dessas comunicações. Outros documentos mostram como a NSA dominava a rede complexa com que a Huawei consegue ligar um terço da população mundial e ou como mantinha sob vigilância as comunicações entre os líderes da empresa.

Os EUA sempre procuraram impedir que a Huawei tivesse acesso a negócios importantes no país e por várias vezes investigaram possíveis ligações da empresa ao exército da China. Segundo o New York Times, dos mais de 20 grupos de hackers chineses atualmente sob vigilância da NSA, mais de metade tem ligações às forças armadas chinesas e a sua atividade passa por entrar nas redes do governo de Washington e de grandes empresas como a Google ou fabricantes de material militar. 

A ação dos hackers norte-americanos contra a Huawei não é diferente, apesar da NSA garantir que as suas ações contra alvos estrangeiros tem apenas por fim garantir a segurança interna. Ao garantir o acesso às comunicações e tecnologia produzida pela Huawei, os EUA passam a poder vigiar mais de perto empresas e governos em países como o Irão, o Paquistão ou Cuba, alguns dos clientes da empresa chinesa.

Em meados de janeiro, a diretora financeira da Huawei deu uma conferência de imprensa em Pequim para desmentir que tivesse havido qualquer falha de segurança que permitisse o acesso da NSA ao seu sistema de comunicações. “A ironia disto é que nos estão a fazer exatamente o mesmo que antes acusavam os chineses de fazer através de nós”, diz agora um dos administradores da Huawei nos Estados Unidos. Para William Plummer, “se essa espionagem aconteceu mesmo, então já sabem que a empresa é independente e não tem laços especiais com nenhum governo, pelo que esse conhecimento deve ser partilhado publicamente e assim acabar com esta era de desinformação”.

NSA já consegue gravar e guardar todas as conversas telefónicas de um país

Esta semana foi conhecida outra operação da agência de espionagem norte-americana, que mostra como a NSA tem capacidade para gravar todas as chamadas efetuadas num país estrangeiro e guardá-las durante um mês para posterior acesso. A notícia publicada pelo Washington Post também tem origem nos documentos facultados por Edward Snowden, com o jornal a omitir os dados que possam identificar o país em causa, a pedido das autoridades norte-americanas.

Com esta tecnologia, integrada no programa “Mystic”, de recolha de chamadas de voz, permite à NSA e a outras agências policiais, sempre que encontram um novo alvo, ter acesso imediato a todas as chamadas por ele efetuadas no último mês.

Para Christopher Soghoian, o especialista em tecnologia da organização de direitos civis ACLU citado pelo Washington Post, a história prova que “nos próximos anos eles irão alargar o programa a mais países, guardar os dados por mais tempo e estender as condições para a sua utilização”. Para já, a NSA está a construir uma mega centro de dados no Utah, onde espera poder alojar um volume de dados cada vez maior, à medida que vai expandindo a sua vigilância a todo o planeta.

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