Precários da RTP: “Governo tem de cumprir a lei”

04 de setembro 2023 - 19:04

Mariana Mortágua critica a “hipocrisia” do Governo por “fazer leis que depois não cumpre”, ao manter na RTP uma atividade que é baseada em recibos verdes e falsos outourcing.

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Mariana Mortágua na concentração de trabalhadores precários da RTP no Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia. Foto Esquerda.net.

Esta segunda-feira, Mariana Mortágua esteve presente na concentração de trabalhadores precários da RTP no Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia. A coordenadora bloquista apontou que na empresa existe discriminação entre trabalhadores, decorrente dos vínculos laborais precários a que muitos são submetidos, impedindo-os de usufruir dos direitos patentes no acordo coletivo.

Mariana Mortágua vincou que o Governo “tem de cumprir a lei”.

“Não podemos ter um Governo de dupla face, que, à segunda e quarta, diz que quer combater a precariedade”, e “diz que a imprensa é fundamental para combater a desinformação e a extrema direita”, e, “às terças e quintas, mantém numa empresa que é pública” trabalhadores precários e “uma atividade que é baseada em recibos verdes” e “falsos outourcing”, defendeu a dirigente do Bloco.

Mariana Mortágua destacou que a RTP não pode ser um “modelo para restantes meios de comunicação social recorrendo a trabalho precário” e criticou a “hipocrisia” do Governo ao “fazer leis que depois não cumpre”.

O Bloco quer que a administração da RTP e a tutela regularizem as situações laborais precárias na empresa pública, em respeito pela lei, pela dignidade do trabalho e pelo papel fundamental da imprensa.

Em comunicado, a Sub-Comissão dos Trabalhadores da RTP do Porto sublinha “com firmeza o combate à precariedade laboral no serviço público de rádio e televisão”.

“O trabalho precário não é só um problema de quem o sofre diretamente na pele, é algo que nos deve desassossegar a todos. O não cumprimento da contratação coletiva conduz ao desequilíbrio das relações laborais e a um atentado aos direitos adquiridos por várias gerações”, escreve a organização representativa dos trabalhadores.

O Governo "não pode dizer que o trabalho precário, nomeadamente de jovens qualificados, é vergonhoso e indigno, e, depois, deixar que isso se perpetue numa empresa do Estado”, lê-se ainda no documento.