'Powerpoint' do Governo “é plano de negócios para o setor da saúde privada”

31 de maio 2024 - 23:42

Mariana Mortágua lamentou que os erros crassos do PS e de Marta Temido na Saúde sejam agora aproveitados pelo Governo PSD/CDS-PP para "destruir o Serviço Nacional de Saúde de forma cobarde".

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Hospital.
Foto de Paulete Matos.

"Nenhum governante tem a coragem de dizer que quer acabar com o SNS. Mas é precisamente isso que o Governo está a fazer de forma cobarde. O que o Governo do PSD [e CDS-PP] está a fazer de forma cobarde é acabar com o SNS. Aproveitando um erro crasso da maioria absoluta do PS", referiu Mariana Mortágua durante um comício em Coimbra.

A coordenadora do Bloco afirmou que o partido"não perdoa" ao PS e a Marta Temido por ter "criado uma guerra contra os profissionais" deste setor e evocou os "1,7 milhões de utentes sem médico de família" herdados dos anteriores governos socialistas.

"Não abandonamos a generosidade da resposta e de Arnaut e Semedo, ao contrário do que fez o PS. A verdade é que o PS recusou esse legado que Arnaut nos deixou, desprezou esse testamento. Esse erro é o que se torna a oportunidade da direita", afirmou Mariana.

Mário André Macedo e Bruno Maia

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A líder bloquista foi ainda perentória ao afirmar que o programa de emergência para a Saúde apresentado por Luís Montenegro tem "muito 'powerpoint', poucos compromissos e nenhuma conta".

"Ao melhor estilo da consultoria privada, o 'powerpoint' é na verdade um plano de negócios para o setor da saúde privada em Portugal. Um roteiro de promessas e benesses clientelares, uma distribuição de verbas para empresas dos apoiantes da direita, uma promoção da cartilha liberal e mais uma demonstração do profundo desprezo que a direita tem por quem aguenta os hospitais, quem trabalha no SNS", acusou.

Mariana Mortágua assinalou que as propostas da direita “empurram doentes para os hospitais privados, substituindo o cheque cirurgia que ninguém quer usar por ‘vouchers telefónicos’”, ideia que classificou como “um bocado bizarra”.

“Quem está em lista de espera vai receber um telefonema ou vários a insistir que vá ao hospital privado onde não quer ir. Não aprenderam nada com o falhanço dos cheques cirurgia. Até podem mandar pombos correio para a casa das pessoas, o que elas querem é o seu médico de família, no seu hospital público, ao pé da sua casa, em quem confiam”, acrescentou.

No que concerne ao Orçamento do Estado para 2025, Mariana afirmou que "só há uma coisa que sabe" sobre o documento.

"Primeiro, vai entregar milhões de dinheiro dos contribuintes para os cofres dos grupos privados de saúde para logo a seguir cortar nos impostos sob os lucros esses grupos privados de saúde. A direita só sabe governar quando tira o que é de todos para dar a alguns", apontou.

Sobre as eleições europeias de 9 de junho, Mariana Mortágua disse que “o que vai decidir estas eleições é se o povo de esquerda vai às urnas” para votar ou se a extrema-direita e a direita “mobilizam o seu povo para ir votar em ideias de divisão, de violência, de racismo, que não são a Europa com que sonhamos e o projeto europeu do pós-guerra”.