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Povo do Barroso bloqueia escritório da Savannah contra a mina

A ação simbólica de protesto contra a exploração de lítio na região juntou habitantes do Barroso e ativistas ambientais. A população afirma que a mina “consome mais água que o próprio concelho durante o ano inteiro” numa altura em que a seca assola a região.
Mina do Barroso. Imagem de um vídeo da ALGARVE SURF AND MARINE ACTIVITIES ASSOCIATION.
Mina do Barroso. Imagem de um vídeo da ALGARVE SURF AND MARINE ACTIVITIES ASSOCIATION.

“Enterro da mineração, não passarão”. Assim dizia a faixa colocada esta terça-feira à porta do escritório da Savannah, em Boticas, a empresa que pretende explorar uma mina de lítio na região do Barroso. Moradores da região e ativistas juntaram-se num protesto simbólico que passou pelo bloqueio temporário do edifício da empresa, aliás vazio, com sacos de terra. Depois sentaram-se à sua frente fazendo ouvir a palavra de ordem “fora Savannah das nossas montanhas!”

Os manifestantes sublinham que o atual quadro de seca reforça as razões que já apresentavam contra a exploração de lítio e de outros minerais a céu aberto, numa concessão de 593 hectares entre as freguesias de Dornelas e Covas do Barroso. Este tipo de atividade, defendem, implica um uso excessivo de água.

À Lusa, Nelson Gomes, o presidente da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, declarou que por estarmos em seca extrema “este é um bom ano para alertar para a falta de água”. Assegura que “a extração mineira só vai piorar este problema.” “Se já não temos água suficiente para alimentar os animais e as pessoas que vivem lá, como é que vamos ter água para sustentar uma mina que consome mais água que o próprio concelho durante o ano inteiro”, questiona.

A ação que se segue a uma semana de acampamento em Covas do Barroso é portanto uma forma de demonstrar que “empresa não é bem-vinda”, e que “daqui não passarão”. “Nós estaremos aqui para impedir que a empresa abra seja que tipo de mina for”, garante. Ativistas e ambientalistas destacaram uma vez mais que a região está classificada como Património Agrícola Mundial e que, portanto, “não é este tipo de desenvolvimento que se quer para este território”.

No campo institucional, o presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, confirma as preocupações dos manifestantes. Na aldeia de Covas do Barroso sentem-se este ano dificuldades de abastecimento de água e pela primeira vez tornou-se necessário reabastecer os depósitos. O autarca diz que “se eventualmente este ano já houvesse mina a laborar, era uma desgraça completa. Este ano a própria zona de Covas do Barroso está com pouca água. Agora, a quantidade de água imensa precisa para a lavaria da empresa é uma coisa assustadora. Não há rios, não há nascentes, furos que consigam sustentar isso”.

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