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Portugal é dos países da OCDE em que mais se tem de gastar com saúde privada

O país fica ainda abaixo da média em gastos públicos per capita em saúde e é dos que menos investe em prevenção.
Saúde. Foto de Paulete Matos.
Saúde. Foto de Paulete Matos.

O valor gasto pelas famílias portuguesas em despesas de saúde que acaba no bolso dos privados é muito superior à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Esta conclusão é tirada pelo Expresso a partir da base de dados que aquela organização disponibilizou publicamente a partir de julho.

Assinala-se que a fatia da despesa privada dos gastos com a saúde foi de 35,5% em 2020, o valor mais baixo da última década, mas, ainda assim, muito acima da média do conjunto dos países da OCDE que se situa em 23,7%. Os dados provisórios relativos ao ano passado dão conta até de uma subida muito ligeira dos gastos privados no nosso país para 36%.

Na lista de países em que os cidadãos mais são obrigados a desembolsar com a saúde, o país surge em quinto lugar, superado por México, Grécia, Coreia do Sul e Letónia. Em Portugal gasta-se no privado sobretudo devido consultas e exames e a seguros de saúde. Os gastos diretos com serviços de saúde (despesas de consultas, exames, outros serviços privados, assim como taxas moderadoras hospitalares) são em Portugal de 27,8%, sendo a média da OCDE de 18,1% (e os números provisórios do ano passado mais uma vez apontam para uma subida do valor até aos 28,6%). A despesa com seguros de saúde é de 7,7% mas, apesar da percentagem aparentemente baixa corresponde a dos valores mais altos comparativamente com o resto destes países.

Portugal é o país da OCDE com o maior peso da despesa privada com saúde no PIB, 3,7% em 2020, 4,0% em 2021, o valor mais alto da última década com peso determinante dos pagamentos diretos por serviços de saúde (3,2%). Nas contas de gastos per capita na saúde privada em paridade com o poder de compra, o país surge em 4º lugar, se as contas forem feitas em pagamentos diretos, ocupa o 2º lugar com apenas os Estados Unidos a superá-lo. Em 2021, a média do dinheiro gasto nos privados foi de 828,8 em comparação com os 727,3 euros do ano anterior.

O reverso da questão mostra um investimento público também ele abaixo da média da OCDE. O país investiu 64,5% da despesa pública na saúde, enquanto que a média deste conjunto de países é de 76,3%, apesar de ter sido o valor mais alto desde 2011.

Se a conta for feita em termos de percentagem do PIB, Portugal fica noutra posição, a meio da lista, com 6,8% gastos em 2020 e um aumento ligeiro para 7,2% no ano passado.

Somada a despesa pública e privada, o país também fica acima da média da OCDE com 10,5% do PIB em 2020, sendo a média de todos estes países de 9,7%. Em termos de gastos totais per capita em paridade de poder de compra gastou-se 2.049 em 2020, o valor mais alto da década mas abaixo da média da OCDE com 3.264 euros.

Nas contas daquele jornal destaca-se ainda o baixo peso da despesa em cuidados continuados: 4,9% da despesa total em Portugal, 13,5% na média da OCDE, e ser um dos países que menos gasta em prevenção, 1,9% do total da despesa em saúde, sendo a média da OCDE de 3,5% em 2020.

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