Portugal continua sem plano para prevenção e controlo de infeções sexualmente transmissíveis

13 de março 2024 - 15:16

Número de notificações de infeções sexualmente transmissíveis aumentou em Portugal e na Europa, mas o nosso país deixou de ter um plano estratégico para a prevenção e controlo destas doenças.

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preservativos
Foto Esquerda.net

Na semana passada um relatório do Centro Europeu de Controlo e Prevenção da Doença (ECDC) revelava um aumento preocupante de casos de sífilis, gonorreia e clamídia, em Portugal, e na Europa, alertando para uma maior sensibilização e prevenção das infeções sexualmente transmissíveis (IST), através do “acesso a testes e a um tratamento eficaz para enfrentar este desafio de saúde pública.”, segundo consta no documento.

Segundo o relatório da ECDC, em 2022, “o número de casos notificados registou um aumento significativo em comparação com o ano anterior, com os casos de gonorreia a aumentar 48%, os casos de sífilis 34% e os casos de clamídia 16%. Além disso, os casos de linfogranuloma venéreo (LGV) e de sífilis congénita (causada pela transmissão da mãe para o feto) também aumentaram substancialmente.”

A Diretora do ECDC, Andrea Ammon, expressou profunda preocupação com o aumento das taxas de IST, dizendo: "Abordar o aumento substancial de casos de IST exige atenção urgente e esforços concertados. Os testes, o tratamento e a prevenção estão no centro de qualquer estratégia a longo prazo. Devemos dar prioridade à educação sobre saúde sexual, ampliar o acesso a serviços de testes e tratamento e combater o estigma associado às ISTs. Iniciativas de educação e conscientização são vitais para capacitar os indivíduos a fazerem escolhas informadas sobre a sua saúde sexual. Promover o uso consistente de preservativos e fomentar o diálogo aberto sobre as ISTs pode ajudar a reduzir as taxas de transmissão." 

No entanto, segundo avançou esta quarta-feira o jornal Público, Portugal interrompeu a task-force durante a pandemia da COVID-19, não tendo sido retomado mais esse trabalho de prevenção e controlo de doenças sexualmente transmissíveis.

A task-force “ficou suspensa e o trabalho não foi concluído”, recorda ao Público Cândida Fernandes, médica responsável pela Consulta de Doenças Sexualmente Transmissíveis no Hospital dos Capuchos (Lisboa).

A Direção-Geral da Saúde (DGS) não respondeu ao jornal se o grupo de trabalho iria continuar o trabalho que a pandemia interrompeu. Mas reconhece a “necessidade urgente de intensificar a resposta às IST”. A DGS destaca ainda “os esforços significativos" que têm sido feitos para “aumentar a realização de testes diagnósticos” nos últimos anos e “os apoios concedidos a instituições para que a testagem continue a aumentar”.  

A DGS sublinha também que têm sido feitos mais testes de diagnóstico e que tem havido um aumento na promoção do uso de preservativos. De 2022 para 2023, houve “um aumento de 34%, com cerca de sete milhões de preservativos distribuídos, e de 15% no número de gel lubrificante, com mais de 1,9 milhões distribuídos ”.