Cravos vermelhos e um cheiro a Liberdade invadiram a Praça dos Poveiros, no Porto. Durante a manifestação “Contra o Fascismo, Mais e Melhor Habitação” foram entoadas palavras de ordem como “Poder Popular”, “Continuar Abril”, “Eu sou antifascista e o mundo vou mudar”, “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”, “Não passarão”, “Racistas, fascistas chegou a vossa hora, os imigrantes ficam e vocês vão embora”. E a canção da Liberdade, “Grândola, vila morena”, voltou a aquecer as vozes das mais de mil pessoas que se juntaram para recusar qualquer retrocesso nos direitos conquistados.
A dirigente do Bloco Isabel Pires sublinhou, em declarações aos jornal Expresso, que “este é o momento de lutar e continuar o caminho do 25 de Abril”. Acredito que as comemorações deste ano vão ter um simbolismo ainda maior”, continuou.
Já a manifestação “Menos Imigração, Mais Habitação”, organizada pelo grupo nacionalista 1143, juntou somente 100 pessoas, apesar dos inúmeros apelos do neonazi Mário Machado, que convocou "todos os patriotas a marcarem presença" no Porto para mostrarem "oposição à invasão de imigrantes, que é a principal razão para o aumento brutal do preço da habitação".
A descrição do jornalista do Expresso dá-nos uma ideia do ambiente desta manifestação fascista: “a linguagem é agressiva, há insultos contra jornalistas, muitas caras tapadas e poucas mulheres”. O protesto foi marcado por explosões de very lights, saudações nazi e odes a Salazar, Salazar.
A par de Mário Machado, esteve presente nesta manifestação Rui Roque, ex-militante ativo do partido Chega e autor de uma moção para remover ovários de mulheres que praticassem o aborto.