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Por detrás da Brigada Azov, um movimento e tradição fascista na Ucrânia

Alex De Jong olha para a história e atualidade da extrema-direita na Ucrânia para desfazer os mitos que exageram ou mitigam o seu papel. E conclui que “uma Ucrânia livre e independente é uma primeira etapa necessária para vencer o fascismo”.
Soldados do Batalhão Azov em 2014. Foto de Carl Ridderstråle/Wikimedia Commons.
Soldados do Batalhão Azov em 2014. Foto de Carl Ridderstråle/Wikimedia Commons.

“Por favor, parem de falar a torto e a direito da Brigada Azov”, ouvi num telefonema irritado de alguém de esquerda da Europa de Leste há algumas semanas. É verdade que a Brigada Azov, uma unidade militar ucraniana de extrema-direita, focalizava a atenção, nomeadamente porque o governo russo gosta de citar este grupo como prova de que um regime nazi está no poder na Ucrânia. “A importância que se lhe atribui é desproporcional e desvia a atenção da causa real da guerra atual, o imperialismo russo, explicava-se.

Contudo, enquanto perdura a atenção sobre este regimento, convém analisar também o “Movimento Azov”, composto de perigosos fascistas que devem ser denunciados e combatidos. Uma vez que uma discussão baseada em factos é o melhor remédio contra os mitos divulgados tanto pelo Azov como por Moscovo, debrucemo-nos sobre a recente obra “From the Fires of War: Ukraine’s Azov Movement and the Global Far Right” do jornalista Michael Colborne porque oferece um bom ponto de partida.

Colborne tem seguido a extrema-direita na Ucrânia há vários anos e, neste livro, faz um esboço conciso da ascensão, estrutura, ideologia e dimensão do movimento. Acrescentemos que este autor dificilmente pode ser acusado de fazer a apologia de Putin; já esteve envolvido na rede de jornalismo de investigação Bellingcat. E a Bellingcat, depois de ter atraído a ira dos regimes de Putin e Assad, a partir do momento em que fez relatórios críticos sobre o movimento Azov, também passou a atrair a ira da extrema-direita na Ucrânia; há inimigos de que nos podemos orgulhar!

From the Fires of War” é antes mais um relato factual. O primeiro capítulo traça as origens daquilo a que Colborne chama “o movimento Azov”. Já que, para além da unidade militar bem conhecida, há toda uma rede de organizações políticas e culturais que foi implementada pelos militantes da extrema-direita ao longo dos anos para difundir a sua ideologia e para reforçar a sua influência e poder.

A unidade militar foi inicialmente criada no seguimento da anterior invasão russa em 2014. Ao contrário da invasão de 2022, nesta altura o exército ucraniano foi derrotado em pouco tempo pela invasão russa. Os civis ucranianos tinham então formado unidades de voluntários que não se conseguiram contrapor ao exército russo e sofreram pesadas perdas. Aquilo a que então se chamava o “batalhão Azov” foi criado por militantes de extrema-direita, alguns dos quais já tinham experiência de guerra. O batalhão Azov contava igualmente com membros não ucranianos, nomeadamente fascistas que antes tinham combatido lado croata na guerra da ex-Jugoslávia. Ironicamente, a maior parte dos estrangeiros eram de origem russa; tratavam-se na maior parte de militantes fascistas procurados na Rússia por violência. A sua experiência violenta torna-se então útil e, de cerca de cinquenta membros, o Azov passa a perto de 800 no fim de 2014, quando passou oficialmente a fazer parte da Guarda Nacional ucraniana. Desde então, o movimento apoiou-se amplamente no crédito adquirido graças aos seus feitos militares aquando da sua participação na guerra.

Contudo, a ideologia específica que o movimento propaga e da qual se reivindica remonta mais longe, aos anos 1920 e 1930. Para compreender esta ideologia e o movimento que motivou, a explicação do contexto histórico é necessária.

Uma história atribulada

Entre 1917 e 1921, os nacionalistas ucranianos tentaram lutar pelo seu próprio Estado, contra o inimigo alemão, polaco, austro-húngaro e bolchevique! Finalmente, os nacionalistas ucranianos foram vencidos e uma parte do que é hoje a Ucrânia tornou-se um território polaco enquanto que a maior parte do território passou a fazer parte da União Soviética sob o nome da República Socialista Soviética da Ucrânia. Duas regiões mais pequenas nas quais os ucranianos eram maioritários foram integrados na Roménia e na Checoslováquia. Na Polónia e na Roménia, os ucranianos foram rapidamente vítimas de uma política de assimilação forçada.

Ao invés, nos anos 1920, a República Soviética da Ucrânia dispunha de um certo grau de autonomia no seio da qual a língua e a cultura ucranianas podiam florescer. Ainda que a autonomia política fosse limitada (uma verdadeira secessão da União Soviética era impossível), numerosos ucranianos dos outros Estados olhavam com admiração a renovação da língua e cultura ucranianas na República soviética. Antes de 1917, não havia praticamente nenhuma educação em ucraniano mas no início de 1930 97% dos ucranianos da União Soviética eram educados na sua própria língua.

Uma responsabilidade estalinista esmagadora

Contudo, a atmosfera relativamente aberta da República Soviética da Ucrânia não duraria. Em 1932, Estaline ordenou a destruição do “nacionalismo burguês ucraniano”. O dissidente ucraniano Ivan Dzyuba escrevia em 1968 que isto equivalia a “destruir todas as formas de nacionalidade, a vida nacional e a cultura ucraniana e a liquidar os quadros educativos e científicos”.

Milhares de ucranianos foram mortos antes mesmo das purgas sangrentas no resto da União Soviética. Na mesma época, começou a política da coletivização forçada da agricultura. Para quebrar a resistência, as autoridades soviéticas deportaram cerca de 850.000 camponeses e suas famílias “muitas vezes para locais remotos no leste e norte da União Soviética e em condições tão miseráveis que muitos não sobreviveram”, escreve Marc Jansen em "Grensland. Uma História da Ucrânia".

Em 1932, em grande parte devido à coletivização forçada, eclodiu uma fome, da qual a Ucrânia ainda hoje se lembra (com o nome de Holodomor) como um trauma nacional e que, como tal, desempenha um papel importante na repulsa ao passado soviético. Para manter a exportação de cereais, quantidades excessivas foram confiscadas, levando à fome em massa dos camponeses e suas famílias.

Não apenas as exigências de auxílio foram rejeitadas por Estaline mas a política soviética agravou o desastre. Timothy Snyder em Bloodlands. L’Europe entre Hitler et Staline descreve como, no final de 1932, as autoridades soviéticas elaboraram uma lista negra das quintas coletivas que não tinham respeitado as quotas de cereais. Sob a forma de punição, tinham de entregar imediatamente uma grande quantidade de cereais. Claro que não podiam fazer isso, o que significou que toda a comida foi confiscada. Além disso, as aldeias desta lista negra não estavam autorizadas a fazer comércio ou a receber abastecimentos de outros locais. Sem comida, isoladas do resto do país, as pessoas foram assim condenadas a morrer à fome. As estimativas do número de vítimas da fome variam de 2,5 a 4 milhões.

Nos anos 1920, numerosos ucranianos consideravam a União Soviética com simpatia e o Partido Comunista clandestino da Ucrânia Ocidental (CPWO) beneficia de um apoio importante na zona controlada pela Polónia. A fome e a repressão acabariam com isso e, em 1938, o CPWO é dissolvido por ordem de Estaline. Em 1925, o Partido Comunista Ucraniano (Ukrainska Komunistychna Partiia, igualmente chamado Ukapisty), um partido pró-soviético e favorável à autodeterminação da Ucrânia, já tinha sido dissolvido.

que permite a ascensão da direita ucraniana

Foram os movimentos de direita que beneficiaram desta evolução. A partir de 1920, os nacionalistas ucranianos de direita tinham criado uma organização armada clandestina que realizava ataques contra alvos polacos, soviéticos, checoslovacos e romenos. Em 1929, este grupo, junto com outros nacionalistas, entre os quais a União dos Fascistas Ucranianos, fundou a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OON).

A OON tinha uma ideologia fascista clássica como se pode ver, por exemplo, no trabalho do seu ideológo, Mykola Stsiborskyi, Nação. Sob este título, descreve o objetivo do OON como uma “ditadura nacional, anti-democrática, anti-socialista e hierárquica”. Inscrevendo-se totalmente na tradição fascista, Stsiborskyi glorifica o fanatismo irracional, a violência e a guerra. Para Stsiborskyi, uma nação viva é uma nação agressiva e guerreira. Em 2020, esta obra foi reeditada numa tradução alemã com um prefácio do ideológo e dirigente do Azov Mykola Kravchenko. Kravchenko, que morreu no dia 14 de março na batalha de Kiev, reivindica no seu prefácio as ideias de Stsiborskyi como base do desenvolvimento do “movimento nacionalista contemporâneo” na Ucrânia.

A OON é tristemente célebre pela sua colaboração com a Alemanha nazi durante a IIª Guerra Mundial. O movimento esperava que a Alemanha nazi vencesse a Polónia e a União Soviética e permitisse a criação de um Estado ucraniano. Em junho de 1941, a corrente da OON dirigida por Stepan Bandera proclama um Estado ucraniano aliado da Alemanha nazi. Movimentos fascistas locais dirigiam Estados satélites na Croácia e na Eslováquia sob proteção alemã. Contudo, um Estado ucraniano não estava nos planos dos nazis. Estes previam exterminar a maior parte da população desta parte da Europa e obrigar os sobreviventes à escravatura ao serviço dos futuros colonos alemães. Stepan Bandera e outros dirigentes do OON foram presos pelos nazis mas beneficiaram de privilégios especiais enquanto “Ehrenhäftlinge”. Os membros do OON e o braço armado do movimento, o Exército dos Resistentes Ucranianos (OPL), em colaboração com as unidades alemãs ou de forma independente, cometeram assassinatos em grande escala e expulsaram quem consideravam ser inimigos da nação ucraniana como os judeus e os polacos. Nas primeiras semanas da guerra, dezenas de milhares de pessoas foram mortas nestes pogroms.

Na fase final da guerra, o OON, percebendo que a Alemanha nazi seria vencida e que tinha necessidade de novos aliados, passou a utilizar uma retórica mais moderada. De acordo com os historiadores, esta viragem “democrática” era em grande medida uma impostura. Quando o vento muda em desfavor dos nazis, os dirigentes do OON, entre os quais Stepan Bandera, são libertados para lhes permitir a criação de um novo movimento nacionalista aliado da Alemanha nazi. As unidades da OPL, contudo, combateram não apenas contra as tropas soviéticas mas também contra as alemãs neste período. Durante este tempo, as violências contra civis continuaram. Em 1943-1944, o OON e o OPL mataram milhares de judeus e mais de 90.000 polacos na “limpeza étnica” dos territórios ucranianos.

O OON e o OPL diziam agir em nome do povo ucraniano, como hoje o faz o movimento Azov, mas na realidade, a atitude da maior parte dos ucranianos face às tropas alemãs era mais de esperar para ver. Um pequeno movimento minoritário no OON tinha mesmo rompido com Bandera devido ao seu apoio à Alemanha nazi e deslocou-se para a esquerda. Durante a guerra, várias centenas de milhares de ucranianos envolveram-se no OON e no OPL. Por outro lado, estima-se que cerca de 4,5 milhões de ucranianos combateram no Exército Vermelho. Simbolicamente, uma unidade o Exército Vermelho que libertou o campo da morte de Auschwitz era dirigida por um judeu ucraniano, Anatoly Shapiro.

Guerra de 2014 e ascensão do movimento

A propaganda russa exagera grosseiramente a influência e o número de seguidores do movimentos como o Azov. A ala eleitoral do movimento Azov, o Corpo Nacional, é segundo as palavras de Colborne, “um flop”. Uma aliança deste partido com outros como o Pravyï Sector (Setor de Direita) e o Svoboda (União pan-ucraniana Liberdade) obteve um pouco mais de 2% dos votos nas eleições legislativas de 2019, muito abaixo do patamar eleitoral de 5%. Nesse ano, o chefe do partido, Andriy Biletsky, decidiu não participar nas eleições presidenciais, as sondagens mostravam que ele podia obter 0,2 % dos votos. Nestas eleições, o candidato de extrema-direita Ruslan Koshulynskyi (do Svoboda) obteve 1,6% dos votos.

Porém, o movimento consegue exercer alguma influência e seria um erro descartá-lo com base apenas nos resultados eleitorais. Por exemplo, Colborne sublinha o papel dos grupos de extrema-direita nas manifestações de Maidan em 2014. Durante estas manifestações, o grupúsculo antecessor do Azov fazia parte do Setor de Direita, uma organização que contava com entre três a cinco centenas de membros, segundo Colborne. Porque a extrema-direita estava literalmente na primeira linha dos confrontos com a polícia, adquiriu um prestígio e uma influência desproporcionais. Paradoxalmente, é também depois de Maidan que os resultados eleitorais de um partido de extrema-direita como o Svoboda começaram a baixar. Depois de Maidan, o Svodoba tentou, em vão, combinar o seu núcleo fascista e anti-semita com uma fachada mais respeitável, enquanto que o Setor de Direita jogou na abordagem oposta, perdendo no confronto com o novo governo e perdendo igualmente o apoio dos seus militantes. Uma parte destas deserções juntou-se ao Movimento Azov, que começou a desenvolver-se com a guerra de 2014 através de iniciativas como uma organização de juventude, uma editora, reuniões públicas regulares, grupos desportivos e um braço político.

Colborne atribui uma grande parte do sucesso relativo do movimento Azov a esta estratégia. Ainda que o movimento se goste de apresentar como radical, não se confronta diretamente com o Estado. Inspirado por fascistas franceses como Dominique Venner e Guillaume Faye, o movimento Azov visa construir uma rede de organizações para ganhar uma implantação social e cultural. O movimento Azov construiu assim o que a ideóloga Olena Semenyaka chama um “Estado dentro do Estado”.

Construir um tal movimento custa muito dinheiro. Colborne descreve como o movimento Azov recolhe fundos na diáspora ucraniana e funciona também regulamente como um gangue para empresários corruptos. Uma boa parte da explicação para o crescimento do movimento reside igualmente nas suas ligações com algumas partes do aparelho de Estado: a sede do movimento, um edifício de três andares, foi-lhe atribuída pelo governo. Durante anos, o político e empresário Arsen Avakov foi um importante mecenas do movimento. Este fez fortuna durante as privatizações caóticas dos anos 1990. No início dos anos 2000, lançou-se na política e terá mantido ligações com um precursor do movimento Azov que lhe servia de gangue. Avakov foi acusado várias vezes de burla e fraude e foi procurado pela Interpol em 2012. Graças ao seu estatuto de deputado, conseguiu escapar às acusações. Em 2014, tornou-se ministro do Interior, um cargo poderoso a partir do qual podia proteger os militantes do Azov. Em julho de 2021, demitiu-se de forma inesperada e, ainda que o movimento Azov não dependa apenas de um indivíduo, os militantes fascistas parecem ter passado a beneficiar de um pouco menos de proteção.

Como indica o sub-título do livro, o movimento Azov tem igualmente ambições internacionais. Durante algum tempo, o movimento apresentou-se como um ponto de referência internacional para os fascistas. Por exemplo, durante a guerra de 2014, o movimento atraíu militantes fascistas do estrangeiro. Colborne cita um relatório americano de 2019 que afirma que cerca de 17.000 estrangeiros participaram nos combates na Ucrânia desde 2014. Destes, mais de 13.000 combateram no campo pró-russo, muitas vezes recrutados por organizações de extrema-direita como o “Movimento de Libertação Nacional” do parlamentar da Rússia Unida, Evgueni Fiodorov, e o Movimento Imperial Russo de Stanislav Vorobyev. Estima-se que uma centena de fascistas estrangeiros combateram com o Azov.

O peso do passado

O facto de um movimento que se coloca na tradição do OON possa conhecer um sucesso relativo tem muito a ver com a história tumultuosa da Ucrânia, país fronteiriço entre a Alemanha hitleriana e a União Soviética estalinista. Os símbolos comunistas, por exemplo, são os das tropas que venceram a Alemanha nazi mas são igualmente os que semearam o terror durante anos naquilo a que hoje se chama a Ucrânia. No Ocidente, a lei chamada de “descomunização” de 2015 suscitou muita atenção. Esta lei interditava símbolos como a foice e o martelo e a estrela vermelha e, com base nesta lei, o Partido Comunista da Ucrânia foi proibido. A lei proibia igualmente a utilização de símbolos nazis como a cruz gamada mas dada a utilização frequente e manifesta do “sol negro” nazi pelo movimento Azov, entre outros, esta interdição não era coerente.

Em particular desde o início do século, reabilitações edulcoradas do OON e de dirigentes como Stepan Bandera são justificadas como “pontos de referência alternativos para uma versão anti-soviética da história nacional”. Estes dirigentes e ideológos aí são descritos como patriotas ucranianos que se oporiam a regimes “totalitários” como os da Alemanha nazi e a União Soviética. Mas se a reabilitação do OON se baseia em parte na dissimulação do seu carácter anti-semita e fascista, oferece, ao mesmo tempo, um espaço às forças que estão muito conscientes deste aspeto da história. Ideólogos como Semenyaka e Kravchenko elogiam os fascistas (os do pré-guerra e os contemporâneos) e apelam à demolição da democracia junto do seu público. Ao passo que o historiador Grzegorz Rossoliński-Liebe, autor de uma biografia crítica de Stepan Bandera, viu a maior parte das conferências que deveria dar na Ucrânia serem impedidas por militantes do Azov que o acusaram de ser um “fascista liberal”.

E o trabalho orientado por historiadores soviéticos não constitui obviamente um contra-peso eficaz à falsificação nacionalista da história. Estes trabalhos perpetuam outros mitos, como os que dizem respeito aos feitos da União Soviética e qualificam como “fascista” qualquer vontade de auto-determinação da Ucrânia. Escutamos ecos disso nos discursos de Putin sobre a necessidade de “desnazificar” a Ucrânia atual.

Num artigo recente, o ativista ucraniano de esquerda Sergiy Movchan advertia contra o facto de se descartar a extrema-direita unicamente com base nos seus maus resultados eleitorais. O que dá poder à extrema-direita e lhe permite influenciar políticas públicas (de forma por vezes mais eficaz que grupos parlamentares) sem estar representada no parlamento é a sua integração na Função Pública e nos servilos militares e de manutenção da ordem, é o seu acesso às armas e a sua infraestrutura construída ao longo dos anos, o seu acesso a recursos financeiros (até de orçamentos locais), o seu domínio da rua e a hegemonia de um discurso nacionalista que legitima as suas ações violentas. Os militantes de esquerda relatam que as suas reuniões são atacadas por militantes de extrema-direita sob o olhar benevolente, e até mesmo a cooperação, da polícia.

Colborne sublinha que sem a guerra de 2014, o movimento Azov nunca se poderia ter tornado a força que é hoje. É demasiado cedo para dizer qual será o resultado da guerra atual no que toca ao desenvolvimento da extrema-direita. Contrariamente a 2014, o papel da extrema-direita na defesa contra o exército russo é relativamente mais fraco. O sentimento nacionalista e anti-russo estava em alta ainda antes mesmo da invasão russa mas ameaça intensificar-se ainda mais. Numa declaração sobre a interdição recente de uma série de partidos “pró-russos”, a organização socialista ucraniana Sotsyalnyi Rukh (Movimento Social) alertava contra as tentativas do governo de “abusar da situação de guerra para atacar os direitos dos trabalhadores ucranianos” e restringir liberdades políticas e civis. Os grupos de esquerda como o MS desempenham um papel ativo na defesa da Ucrânia. Esta luta por uma Ucrânia independente, cujo futuro só pode ser decidido pelos ucranianos, está intrinsecamente ligada à luta contra a extrema-direita, contra o fascismo e o anti-semitismo. Este combate merece a solidariedade internacional. Esta solidariedade pode-se exprimir politicamente apoiando o apelo para a anulação da dívida ucraniana, difundindo declarações e análises da esquerda ucraniana e, na prática, por iniciativas de solidariedade como a Operation Solidarity. Uma Ucrânia livre e independente é uma primeira etapa necessária para vencer o fascismo.


Alex De Jong é editor do Grenzeloos.

Publicado originalmente na página da SAP Antikapitalisten. Traduzido a partir da versão francesa, da responsabilidade de Hamel Puissant e François Houart, por Carlos Carujo para o Esquerda.net.

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