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Poluição tornou-se “ameaça existencial para a saúde humana"

Estudo publicado na revista Lancet atribui à poluição cerca de nove milhões de mortes prematuras por ano. Cientistas reclamam organismo internacional independente para apontar medidas de combate a poluição.
Campus universitário na província chinesa de Henan em 2013. Foto V.T. Polywoda

A poluição é o maior fator de risco ambiental de doença e morte prematura e os números recolhidos pelos estudos da revista Lancet nos últimos anos apontam para a persistência dos seus efeitos, que correspondem a cerca de 9 milhões de mortes anuais, cerca de um em cada seis óbitos registados. As mortes atribuídas à poluição atmosférica e causada por químicos tóxicos aumentaram 7% desde 2015 e 66% desde o início do século. E a grande fatia das suas vítimas está nos países de baixo e médio rendimento.

Os cientistas concluem que a poluição é "uma ameaça existencial para a saúde humana e para a saúde do planeta, e põe em causa a sustentabilidade das sociedades modernas". Além do elevado custo em vidas humanas, o impacto na economia foi avaliado em 2015 em perdas entre 4 e 6 biliões de dólares.  

Embora reconheçam que os países ricos têm adotado medidas para controlar as piores formas de poluição, no âmbito da mitigação dos efeitos das alterações climáticas, o estudo aponta que entre os países de baixo ou médio rendimento o combate à poluição não é visto como prioridade, o mesmo acontecendo nos programas de ajuda ao desenvolvimento ou mesmo nas iniciativas filantrópicas à escala global.

Poluição devido a tóxicos na atmosfera é a que mais tem aumentado

Uma alteração importante nos últimos anos foi a queda da mortalidade atribuída às formas tradicionais de poluição, como a poluição do ar em ambiente doméstico causada pela queima de combustíveis ou a água imprópria para consumo. Os avanços nas políticas de saneamento permitiram diminuir essa mortalidade, em particular em África. Em sentido inverso surge a mortalidade causada pelas formas modernas de poluição, associada aos produtos tóxicos no ar que respiramos, em especial nas regiões do sul, este e sudeste da Ásia. O abandono do chumbo na gasolina vendida em todo o mundo é considerado uma "vitória para a saúde pública" por estes cientistas, embora afirmem que a exposição ao chumbo continue a ser um problema com consequências graves, em particular na saúde e no desenvolvimento das crianças.

Os cientistas apelam à criação de um organismo semelhante ao IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) para estudar e aconselhar políticas coordenadas no combate à poluição, uma vez que se trata de um problema que atravessa fronteiras, quer devido à circulação do ar e das águas marinhas, quer através do transporte de alimentos e matérias-primas.

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