Está aqui

Poluição de algas com extrema toxicidade no Tejo

O proTejo denuncia que esta poluição com extrema toxicidade tem origem em Espanha e defende a necessidade de ser feita queixa à Comissão Europeia, devido ao abuso da Iberdrola na “gestão das barragens para a produção hidroelétrica com critérios meramente economicistas de maximização do lucro”.
Poluição de algas em Vila Velha de Ródão - foto proTejo
Poluição de algas em Vila Velha de Ródão - foto proTejo

Na passada semana, o proTejo (Movimento pelo Tejo) voltou a denunciar a poluição de algas (cianobactérias), que têm extrema toxicidade e cheiro putrefacto, com origem em Espanha, que chegou já a Vila Velha de Ródão e salientou que se reforça a “necessidade de proceder a uma Queixa à Comissão Europeia”.

O movimento relata que a situação atual repete o episódio ocorrido em setembro de 2021, que a APA (Agência Portuguesa do Ambiente) identificou na barragem de Cedillo, a 7 de outubro, e que já vinha da barragem de Alcântara, ambas em Espanha.

Segundo o movimento, esta poluição de algas resulta de vários fatores.

Em primeiro lugar, é o resultado de concentração elevada de nutrientes (nomeadamente fósforo), depositados no fundo das albufeiras da Extremadura espanhola, “em resultado décadas de descargas de águas residuais sem adequado tratamento e das escorrências de fertilizantes agrícolas”.

Em segundo lugar, deve-se à falta de precipitação durante o ano hidrológico de 2021/22, que não permitiu repor os baixos níveis de armazenamento derivados do esvaziamento das barragens de Alcântara e Valdecañas. Estas barragens tiveram a sua capacidade reduzida de 80% para 40% em 15 de março e para 21% em junho de 2021, respetivamente, para produzir energia elétrica, quando o preço da energia no mercado espanhol estava em níveis bastante elevados.

O movimento refere que o governo espanhol pôs um processo de investigação à Iberdrola (a concessionária destas barragens), pela redução drástica de água para multiplicar os ganhos com o elevado preço da energia, citando o jornal espanhol El Mundo.

Em terceiro lugar, resulta também de condições de elevadas temperatura e luminosidade, desde o verão de2021, quando as referidas barragens armazenavam pouca água, devido ao seu esvaziamento artificial, para multiplicar os lucros da Iberdrola.

O proTejo defende que o ministro do Ambiente e Ação Climática exija explicações ao ministro espanhol, pois “esta situação constitui um agravamento adicional do estado ecológico das massas de água do rio Tejo em Portugal em incumprimento da Convenção de Albufeira quanto à obrigatoriedade de garantir o bom estado ecológico das massas fronteiriças e transfronteiriças e em incumprimento da Diretiva Quadro da Água que impõe o objetivo de alcançar um bom estado ecológico das massas de água”.

O movimento defende também que se reforçam assim os fundamentos uma Ação Judicial contra os Estados Português e Espanhol e uma Queixa à Comissão Europeia contra os governos de Portugal e Espanha, “assente no incumprimento da Diretiva Quadro da Água por permitirem uma gestão das barragens para a produção hidroelétrica com critérios meramente economicistas de maximização do lucro”, agravando a deterioração das massas de água do Tejo, não assegurando um “regime hidrológico consistente com o alcance dos objetivos ambientais da DQA em massas de águas superficiais naturais”.

Armindo Silveira critica na sua página do Facebook o “problema gerado pela má gestão da água que os governos de Portugal e Espanha permitem à IBERDROLA”.

 

Termos relacionados Ambiente
(...)