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Polícia volta a reprimir protestos em Hong Kong

Uma nuvem de gás lacrimogéneo volta a cobrir o centro da cidade durante o vigésimo segundo fim de semana de protestos.
Protesto em Hong Kong.
Manifestantes fogem do canhão de água da polícia durante os protestos deste sábado em Hong Kong. Imagem filmada por Michael Zhang/Twitter

O protesto contra o governo e a sua lei que proíbe o uso de máscaras nas manifestações voltou às ruas de Hong Kong este sábado. Para contornar a proibição de manifestações, vários candidatos às eleições locais de 24 de novembro organizaram “encontros eleitorais”, confiando que a polícia não dispersaria agrupamentos com menos de 50 pessoas, que dispensam autorização.Milhares de pessoas acabaram por se concentrar em Victoria Park, com a polícia a intervir para tentar prender os manifestantes com máscaras e alguns dos candidatos promotores dos encontros.

O plano era prosseguir o protesto com uma marcha pelas ruas da cidade, mas foi dificultado pela repressão policial, com o disparo de gás lacrimogéneo. Voltaram a erguer-se barricadas nas ruas, com alguns manifestantes a responderem com cocktails molotov.

Também houve concentrações mais pacíficas noutros pontos da cidade, como um concerto improvisado que juntou vários artistas e “youtubers” famosos, para além de centenas de pessoas a entoarem músicas de protesto e slogans pró-democracia.

O protesto e repressão que se seguiu deixou o habitual rasto de destruição no centro da cidade, obrigando ao encerramento do comércio e da Estação central ferroviária e várias estações de metro. Vários estabelecimentos e instituições com ligações à China, incluindo a agência de notícias Xinhua, foram vandalizados ao longo da tarde de sábado.

Por entre tantas cenas de violência, o momento mais caricato da tarde foi relatado pelo South China Morning Post, quando um deputado opositor a Pequim, Ted Hui Chi-fung, usou um megafone para pedir calma à polícia. A resposta surgiu por parte de uma agente policial, também com megafone, a apelar aos manifestantes e jornalistas para terem cuidado com os seus telemóveis, porque “Hui anda por aí e pode roubar o vosso telefone”, referindo-se à condenação do político por ter roubado o telemóvel de um funcionário do parlamento, alegando estar convencido de que este o estaria a espiar.

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