Venezuela

Polícia sueca rejeita queixa de Assange contra o Nobel para Corina Machado

20 de dezembro 2025 - 11:29

O fundador da Wikileaks alegou que a decisão de entregar o Nobel da Paz viola o testamento de Alfred Nobel de 1895, devido ao apoio de Maria Corina Machado à escalada de agressão de Donald Trump contra a Venezuela.

PARTILHAR
Julian Assange
Julian Assange em outubro de 2024. Foto Candice Imbert/Conselho da Europa

Julian Assange apresentou uma queixa-crime na justiça sueca contra a Fundação Nobel, acusando 30 membros desta entidade de envolvimento em crimes graves sob a legislação sueca. Em causa está a atribuição do Nobel da Paz deste ano a Maria Corina Machado, figura da oposição venezuelana que se tem destacado, ao contrário de outros setores da oposição democrática, pelo apoio aos planos de Trump para uma intervenção militar no país para afastar o presidente Nicolás Maduro e recuperar o controlo sobre o petróleo da Venezuela.

Na queixa apresentada, o fundador da Wikileaks, que viveu sob clausura na embaixada do Equador em Londres e numa prisão inglesa durante mais de uma década por ter exposto crimes de guerra dos EUA, pedia o congelamento dos 11 milhões de coroas suecas, cerca de um milhão de euros, que correspondem ao prémio monetário a ser transferido para as contas de Corina Machado. O argumento e Assange é que a concessão do prémio vai contra a vontade manifestada por Alfred Nobel no seu testamento, quando ditou que ele fosse destinado a quem agisse pela fraternidade entre as nações e pela redução dos exércitos permanentes.

“A decisão política do comité de seleção norueguês não suspende o dever fiduciário dos administradores dos fundos suecos. Qualquer desembolso que contradiga este mandato constitui apropriação indevida da dotação”, afirma a queixa citada pela Wikileaks.

Para Assange, a escolha do comité “converteu um instrumento de paz em um instrumento de guerra”. O antigo jornalista considera ainda que “María Corina Machado pode ter inclinado a balança a favor da guerra, facilitada pelos suspeitos nomeados” na queixa.

Apesar de apoiar a sua queixa com várias citações de declarações da laureada a favor de uma escalada militar contra o seu próprio país, além de pareceres de entidades norueguesas pela paz, e da declaração de outro Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, que afirmou que “conceder o prémio a alguém que apela à invasão estrangeira é uma afronta à vontade de Alfred Nobel”, a polícia sueca fez saber à Agência France Presse que não viu nenhum indício de crime, pelo que a queixa não será investigada.

Termos relacionados: InternacionalVenezuela