Reino Unido

Polícia britânica prende mais de 70 ativistas pró-palestinianos por mostrarem cartazes

14 de julho 2025 - 10:21

Grupos de manifestantes foram presos este fim de semana apenas por expressar publicamente apoio ao Palestine Action. O governo britânico considerou este grupo como “terrorista” depois de alguns ativistas terem pintado com spray dois aviões militares envolvidos no genocídio em Gaza.

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Manifestantes em Londres este sábado contra a designação do Palestine Action como grupo terrorista. Foto de ANDY RAIN/EPA/Lusa.
Manifestantes em Londres este sábado contra a designação do Palestine Action como grupo terrorista. Foto de ANDY RAIN/EPA/Lusa.

O governo britânico decidiu a semana passada banir o grupo pró-palestiniano Palestine Action considerando-o uma “organização terrorista”. É a primeira vez que um grupo de ação direta é visado pelo Terrorism Act 2000 e significa que o coletivo passou a ser equiparado ao “Estado Islâmico”, à al-Qaida ou ao grupo fascista National Action. Este fim de semana 86 ativistas supostamente ligados ao grupo foram presos.

As detenções surgiram na sequência de protestos contra esta medida. Numa das manifestações, no centro de Londres, 42 pessoas foram presas. Na rede social X, o Defend Our Juries, que tinha organizado a ação, explica que “mais de 300 agentes da polícia foram visto a levar dezenas de pessoas dos pés das estátuas de Nelson Mandela e Gandhi por alegadas “ofensas terroristas”. Os presos estão acusado de mostrar cartazes em apoio ao Palestine Action.”

Em Manchester, o local escolhido foi a estátua da sufragista Emmeline Pankhurst. Aí, segundo confirmou a polícia foram presas mais 16 pessoas, também por mostrarem cartazes. Entre eles estavam “três vigários e muitos pensionistas” diz o Defend Our Juries.

Em Cardiff, os protestos ocorreram nas imediações da BBC galesa e, ainda de acordo com a polícia, 13 pessoas foram presas por “suspeitas de cometer ofensas” relativas a terrorismo. As detenções visaram nos três lados especificamente as pessoas que trouxeram cartazes como os que diziam: “I oppose genocide, I support Palestine Action”.

Na semana passada, já outras 29 pessoas tinham sido presas noutra vaga de manifestações.

No perfil que faz dos presos, o DOJ esclarece que foram presos, para além de quatro vicários, advogados, trabalhadores de ação social, funcionários públicos e a filha de um resistente anti-fascista polaco. O grupo promete-se que não vai “ser impedido de opor-se ao genocídio nem de defender aqueles que recusam ser meros espetadores”.

A classificação do grupo como terrorista pode implicar, numa leitura mais estrita do Terrorism Act, que quem demonstrar alguma forma de apoio seja condenado com até 14 anos de prisão.

Porque foi considerado o Palestine Action terrorista?

Alguns ativistas ligados ao Palestine Action foram acusados de entrar em junho na base militar de Brize Norton e de pintar aviões de guerra com um spray de tinta. A polícia alega que terão também danificado os aviões com barras de ferro, o que as imagens filmadas e divulgadas pelo grupo não corrobora.

Queriam com esta ação protestar contra o apoio militar do seu governo ao genocídio que está a ser cometido em Gaza. No próprio dia ação, dezenas de civis foram assassinados por Israel. Quatro foram presos.

Não foi a primeira iniciativa de ação direta que fizeram, tendo já visado outras empresas que estão associadas ativamente ao massacre na Palestina como a israelita Elbit Systems ou o gigante da produção de armas Lockheed Martin. O grupo sublinhou sempre o seu caráter não violento.

Poucos depois dias, Yvette Cooper, secretária de Estado do Interior, anunciou que iria banir o grupo, o que foi votado na câmara baixa do parlamento a 2 de julho e confirmado na Câmara dos Lordes posteriormente.

A decisão tem vindo desde aí a ser contestada por vários grupos de defesa dos direitos humanos, peritos das Nações Unidos e centenas de advogados. Teme-se que seja um precedente perigoso no caminho de identificar protesto pacífico com terrorismo.