A notícia do novo recorde das temperaturas médias na superfície do planeta promete desatualizar rapidamente este ano. Ainda os jornais que saíram para as bancas na terça-feira anunciavam a marca histórica da véspera, com 17,01°C de temperatura média medida pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOOA, na sigla em inglês), e já os termómetros em todo o mundo marcavam um novo recorde, desta vez de 17,18°C.
Os registos da temperatura média do ar na superfície do planeta são recolhidos desde 1979 e o anterior recorde foi batido há menos de um ano, a 24 de julho de 2022, com 16,92°C, refere o diário brasileiro O Globo. O centro europeu Copernicus já tinha divulgado que as temperaturas médias globais do início de junho eram as maiores já registadas. Para o período do início deste mês, as temperaturas médias rondavam os 16,20°C entre 1979 e 2000.
Para a cientista climática Friederike Otto, do Grantham Institute for Climate Change and the Environment do Imperial College, no Reino Unido, "este não é um marco que deveríamos comemorar, é uma sentença de morte para pessoas e ecossistemas".
A acentuar o aumento da temperatura causado pelos efeitos das alterações climáticas devido à ação humana, está o fenómeno climático El Niño, que começa e desenvolver-se e promete nos próximos meses ganhar uma intensidade moderada a forte, segundo as previsões da Organização Meteorológica Mundial reveladas esta semana. A OMM pediu aos governos para que preparem as suas medidas de prevenção, nomeadamente os alertas à população com antecedência em relação aos fenómenos climáticos extremos, o que permitirá salvar muitas vidas.
Mas os efeitos do aumento a temperatura média já se fazem sentir um pouco por todo o mundo, com ondas de calor nos EUA, na China, norte de África e Golfo Pérsico. Na Antártida, o atual inverno convive com temperaturas anormalmente altas que atingiram esta semana os 8,7°C e o derretimento dos glaciares.