"As condições do El Niño desenvolveram-se no Pacífico tropical pela primeira vez em sete anos, abrindo caminho a um provável aumento das temperaturas globais e a perturbações nos padrões meteorológicos e climáticos", alertou esta terça-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM), elevando para 90% a probabilidade do fenómeno continuar no segundo semestre deste ano com força moderada a elevada.
"O início do El Niño aumentará consideravelmente a probabilidade de se baterem recordes de temperatura e de se desencadear um calor mais extremo em muitas partes do mundo e no oceano", afirmou o Secretário-Geral da OMM, Petteri Taalas. "A declaração de um El Niño pela OMM é o sinal para os governos de todo o mundo mobilizarem os preparativos para limitar os impactos na nossa saúde, nos nossos ecossistemas e nas nossas economias", afirmou. "Os alertas antecipados e as medidas de prevenção de fenómenos meteorológicos extremos associados a este grande fenómeno climático são vitais para salvar vidas e meios de subsistência", avisa.
O El Niño é um padrão climático natural associado ao aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Oceano Pacífico tropical central e oriental. Ele ocorre, em média, a cada dois a sete anos e dura normalmente nove a 12 meses. Mas agora ocorre no contexto de um clima alterado pelas atividades humanas, potenciando os seus efeitos. O último El Niño, em 2016, foi de elevada força e correspondeu ao ano mais quente desde que há registos. Segundo a OMM, o efeito no aumento das temperaturas faz-se sentir sobretudo no ano seguinte ao surgimento do fenómeno, pelo que se prevê um ano ainda mais quente em 2024.
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Em maio passado, o relatório da OMM conduzido por cientistas do Governo britânico calculou uma probabilidade de 66% para as temperaturas ultrapassarem o limite de 1,5°C em relação à época pré-industrial em pelo menos um dos próximos quatro anos. Quanto à probabilidade de pelo menos um dos próximos cinco anos ser os mais quente de sempre, ela é quase certa (98%).
O El Niño surge quase sempre associado a um aumento da precipitação em partes do sul da América do Sul, sul dos Estados Unidos, Corno de África e Ásia Central. Em contrapartida, pode causar secas severas na Austrália, Indonésia, partes do sul da Ásia, América Central e norte da América do Sul. Durante o verão do hemisfério Norte, a água quente do El Niño pode alimentar furacões no Oceano Pacífico central/oriental, ao mesmo tempo que pode dificultar a formação de furacões na Bacia do Atlântico.