Está aqui

Pingo Doce retira um dia de descanso semanal aos trabalhadores

Sindicato CESP denuncia ainda que, no Pingo Doce, há insuficiência de medidas de prevenção do contágio, e que prémio de 20%, anunciado pelo grupo Sonae, “foi truque”. Ambos os grupos pretendem distribuir elevados dividendos aos acionistas, neste tempo de pandemia.
Administração da Pingo Doce/Jerónimo Martins quer distribuir aos acionistas em dividendos de 216,8 milhões de euros - Foto da CGTP
Administração da Pingo Doce/Jerónimo Martins quer distribuir aos acionistas em dividendos de 216,8 milhões de euros - Foto da CGTP

Dois dias de descanso semanal

O sindicato dos trabalhadores do comércio , escritórios e serviços (CESP) denuncia que o Pingo Doce do grupo Jerónimo Martins está a retirar um dia de descanso semanal aos trabalhadores e abusa do banco de horas.

O sindicato denuncia também que as medidas de prevenção do contágio são insuficientes, faltando garantia da desinfeção dos espaços e da limitação de entrada e aglomeração de clientes nos super e hipermercados.

O CESP exige ao grupo Pingo Doce/Jerónimo Martins:

  • respeito pelos limites máximos aos períodos normais de trabalho, nomeadamente 8 horas por dia e duas folgas semanais;
  • medidas para impedir a aglomeração de clientes nas caixas e secções de produtos alimentares;
  • respeito dos direitos de parentalidade, dos horários flexíveis e das normais rotações de descanso semanal, assim como a salvaguarda dos trabalhadores portadores de doenças crónicas.

O sindicato lembra que, em Estado de Emergência, só as autoridades públicas podem suspender obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana e 8h de trabalho por dia. Apela ainda aos trabalhadores a defendam estes seus direitos no local de trabalho.

Sindicato exige que grupo Sonae cumpra e pague prémio de 20%

O grupo Sonae anunciou internamente e na comunicação social que os trabalhadores que estão na linha da frente nos locais de trabalho, durante o período da pandemia, iriam receber um prémio de 20% do salário. O CESP diz que tal não correponde inteiramente à verdade e que aquele anúncio foi “mais uma campanha de branding” (publicidade da marca), uma forma de dividir os trabalhadores e os pressionar para que abdiquem de direitos.

Segundo o sindicato, há trabalhadores que não receberam o prémio, apesar de não terem faltado nenhum dia; alguns trabalhadores receberam valores diferentes, embora tenham salários semelhantes; alguns trabalhadores foram discriminados por terem aceitado o banco de horas; na Worten ninguém recebeu prémio.

O CESP denuncia que a grande maioria dos trabalhadores do grupo continua a receber um salário próximo do salário mínimo nacional, defende o aumento dos salários de todos os trabalhadores e que a Sonae pague o prémio com que se comprometeu.

Jerónimo Martins e Sonae querem distribuir elevados dividendos aos acionistas

A Jerónimo Martins era para ter realizado a sua Assembleia Geral (AG) na passada quinta-feira, porém, segundo o “Público”, a maioria dos acionistas não aceitou participar e foi adiada para data a definir.

A administração da Jerónimo Martins propôs que fossem distribuídos aos acionistas dividendos de 216,8 milhões de euros (34,5 cêntimos por ação).

A Sonae SGPS tem AG marcada para 30 de abril, que deverá decorrer em videoconferência, e a proposta é de serem distribuídos aos acionistas 92,6 milhões de euros, 4,63 cêntimos por ação.

Segundo o CESP, o grupo Sonae teve, em 2019, resultados líquidos positivos de 165 milhões de euros e a presidente do grupo, Cláudia Azevedo, aumentou rendimentos em 10%, tendo recebido 812.267 euros em 2019.

Na passada 5ª feira, 16 de abril, Catarina Martins criticou, na Assembleia da República, a intenção de várias grandes empresas, como GALP, EDP, SONAE ou Jerónimo Martins, de distribuir dividendos milionários aos seus acionistas e instou o Governo a usar o Estado de Emergência para impor "medidas de sensatez económica".

 

Termos relacionados Covid-19, Sociedade
(...)