Um barco pesqueiro que transportava 450 migrantes foi resgatado na passada madrugada quando se encontrava em risco de virar devido ao vento forte e ao elevado peso que transportava. Para evitar uma tragédia, lanchas patrulha da Guarda Costeira e da Guarda di Finanza italianas escoltaram o barco para Lampedusa, uma vez que este se encontrava a quatro milhas da ilha quando foi encontrado.
A estas 450 pessoas junta-se cerca de 500 que nas 24 horas anteriores tinham chegado em pequenas embarcações à ilha. A repentina chegada de um tão elevado número de homens e mulheres fez com que fosse decretada emergência na olha. É que o centro de acolhimento de refugiados da ilha de Lampedusa, construído para instalar 200 pessoas, alberga agora 1160.
O resgate das 450 pessoas deu origem a protestos encabeçados por Ángela Maraventano, ex-senadora do partido de extrema direita Liga, que tentou evitar a passagem dos veículos de emergência para o molhe, fez saber a Lusa.
Entretanto, o barco humanitário Sea Watch 4, operado pela ONG com o mesmo nome e pelos Médicos Sem Fronteiras, recebeu 150 migrantes resgatados pelo navio Louise Michel, que se encontrava em dificuldades. O navio aguarda agora num porto italiano, tendo ainda mais de 350 pessoas a bordo.
“Mais de 350 sobreviventes, incluindo grávidas e crianças, esperam a bordo do Sea Watch4. Estão a realizar-se testes médicos aos recém embarcados. Com a médica Ilena, a Médicos Sem Fronteiras trata pessoas com queimaduras de gasolina, desidratação, hipotermia e traumas”, explicou a tripulação na rede social Twitter. Já a tripulação do Louise Michel lembrou que a lei marítima internacional obriga ao salvamento de qualquer pessoa que se encontre em perigo no mar, independentemente da sua nacionalidade.
Segundo o jornal Guardian, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e a Organização Internacional para a Migração (IOM no original) defenderam que mais de 200 dos refugiados resgatados tinham de abandonar de imediato o Louise Michel, uma vez que este se encontrava muito acima da sua capacidade.
The obligation to rescue at sea is an obligation under international maritime law. This obligation applies to every person in danger at sea- regardless of nationality, reason for flight or legal status. Every seafarer knows that by heart. #EU, you don't respect your own laws
— LouiseMichel (@MVLouiseMichel) August 30, 2020
Totò Martello, autarca de Lampedusa, ameaçou avançar com uma greve em toda a ilha. “Estamos de joelhos com estas novas chegadas ao centro de acolhimento. A situação é insustentável. Ou o governo toma decisões imediatas ou isto atingirá toda a ilha. Será a administração que declarará diretamente a greve, fechando tudo. Não é possível continuar a suportar esta posição do governo”, afirmou em declarações à comunicação social italiana e citadas pela Lusa.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados instou os países europeus a deixar entrar os migrantes resgatados no Mediterrâneo por barcos humanitários.
De acordo com as estatísticas oficiais, morreram este ano mais de 500 pessoas no Mediterrâneo, sendo que se estima que o número real seja muito superior.