Num apelo assinado pelas relatoras especiais da ONU em matéria de direitos culturais, discriminação racial e xenofobia, direitos humanos nos territórios palestinianos ocupados e pelos membros do grupo de trabalho sobre a questão dos direitos humanos e das empresas transnacionais, tornado público esta terça-feira, os signatários defendem o afastamento das equipas israelitas das competições internacionais de futebol.
Gaza
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Argumentam que tendo em conta as conclusões do recente relatório da Comissão de Inquérito da ONU sobre os territórios palestinianos ocupados e as recomendações do Tribunal Internacional de Justiça de janeiro do ano passado, os Estados onde estão sediadas as organizações internacionais, os Estados que realizam competições e aqueles que participam em competições desportivas com Israel devem considerar as suas próprias obrigações de não permanecer neutros perante o genocídio.
“Para nós é claro que o boicote deve ser dirigido ao Estado de Israel e não a jogadores individuais. Sempre defendemos que os indivíduos não podem arcar com as consequências das decisões tomadas pelos seus governos, portanto não deve haver discriminação ou sanções contra jogadores individuais devido à sua origem ou nacionalidade”, afirmaram os especialistas. Mas “as equipas nacionais representando estados que praticam violações em massa dos direitos humanos podem e devem ser suspensas, como já aconteceu no passado”, prosseguem.
“O desporto deve rejeitar a perceção de que tudo continua como de costume”, afirmaram Alexandra Xanthaki, K.P. Ashwini, Francesca Albanese, Pichamon Yeophantong, Damilola Olawuyi, Fernanda Hopenhaym, Lyra Jakulevičienė e Robert McCorquodale. Os peritos da ONU entendem que “as entidades desportivas não devem fechar os olhos a graves violações dos direitos humanos, especialmente quando as suas plataformas são utilizadas para normalizar injustiças”.
Tanto a FIFA como a UEFA, apesar de serem organizações internacionais privadas, estão obrigadas a cumprir a lei internacional de direitos humanos. Por isso, “devem cumprir as suas obrigações de não prestar ajuda ou assistência que contribua para manter a situação criada pela presença ilegal de Israel nos territórios palestinianos ocupados”, afirmaram.