"A palavra, o compromisso, a honra, o cisma, a fronteira do dr. Paulo Portas não resistiu uma semana", criticou João Semedo.
O coordenador do Bloco de Esquerda considerou que a reunião do Conselho de Ministros, domingo, constituiu "uma rendição do Governo à troika" e uma "rendição do dr. Paulo Portas ao PSD".
"O Governo prepara-se para reduzir as reformas da função pública, e também ao acrescentar uma contribuição extraordinária, vai reduzir o valor das pensões", criticou, considerando que o executivo revela falta de "consciência social".
O coordenador do Bloco assinalou ainda que os portugueses "não gostam de ver esta troca pública de acusações de pequena intriga, de pequena política entre ministros do PSD e do CDS-PP".
João Semedo falava aos jornalistas à margem de uma visita à Livraria Olisipo, Lisboa, que corre o risco de fechar as portas em agosto, na sequência de uma ordem de despejo, emitida ao abrigo da nova lei das rendas, cuja suspensão é reclamada pelos bloquistas.
"Isso não é dignificar a política, isso é exatamente degradar a política, mas também é a revelação de que este é um governo em desagregação e é um governo que tem os dias contados, tem a sua vida a prazo", sustentou.
"Nem apoio do Presidente da República será suficiente" para salvar Governo
"Nós não temos dúvidas de que este Governo não tem condições políticas, nem o apoio do Presidente da República será suficiente", afirmou João Semedo.
Questionado sobre a convocação do Conselho de Estado, hoje anunciada, João Semedo sustentou que "o futuro do país não depende nem do Presidente da República nem do Conselho de Estado".
"Esta maioria, esta coligação, estão condenados porque governam contra o país e contra as pessoas e isso é que determinará o fim deste Governo", afirmou João Semedo.
Semedo acusou o Governo de se preparar para "reduzir o poder de compra e o nível de vida dos reformados", na sequência da 7ª revisão do memorando de entendimento com a troika de credores.
O Presidente da República convocou hoje o Conselho de Estado para a próxima segunda-feira, tendo como ordem de trabalhos as "perspetivas da economia portuguesa no pós-troika, no quadro de uma União Económica e Monetária efetiva e aprofundada".