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Pedrógão Grande: Associação da Indústria Papeleira planta eucalipto em vez de medronheiro

Quercus e Acréscimo denunciam a “evidente ilegalidade” da situação e a “falta de visão estratégica” que “compromete o futuro do território” por se estarem a plantar massivamente eucaliptos. Em Pedrógão Grande foram replantados depois do incêndio cerca de 130 hectares, 90 dos quais com eucaliptos.
Eucaliptos. Foto de javier torres/Flickr.
Eucaliptos. Foto de javier torres/Flickr.

De acordo com a associação ambientalista Quercus e com a Associação de Promoção ao Investimento Florestal – Acréscimo, o programa “Replantar Pedrógão”, da responsabilidade da Associação da Indústria Papeleira – Celpa, “foi adulterado na sua execução”.

No âmbito das visitas que estas organizações fazem à região que foi afetada pelo incêndio em 2017, descobriram que a parcela na qual o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas aprovara a plantação de medronheiros foi, em vez disso, plantada com eucaliptos. Para além disso, em zonas circundantes “os eucaliptos só não se visualizam nas faixas de rodagem” e estas árvores foram plantadas “até aos limites de caminhos e aceiros”.

A notícia é avançada pelo Público que acrescenta que as associações consideram que o predomínio do eucalipto é sinal de “falta de visão estratégica e compromete o futuro do território”. Em Pedrógão Grande foram replantados cerca de 130 hectares, 90 dos quais com eucaliptos, 28 com medronheiros e carvalhos e cinco com pinheiro-bravo.

Esta descoberta faz também com que tenham “sérias dúvidas” sobre as diferenças entre o que está no papel e o que é “efetivamente instalado no terreno” pela indústria da celulose. Desafia-se assim a Celpa, a “comprovar a inexistência de mais ilegalidades noutros projetos da sua responsabilidade ou por si promovidos, bem como pelas suas associadas” e espera-se que o ICNF reponha a legalidade.

As duas associações criticam igualmente a construção de terraços na margem direita direita do rio o Zêzere que “gerou um enorme volume de carbono emitido para a atmosfera, além de produzir um significativo acréscimo do risco de erosão”. Trata-se, defendem, de uma “injustificável” mobilização do solo, “em plena Reserva Ecológica Nacional (REN) e no enquadramento do Plano de Ordenamento das Albufeiras de Cabril, Bouçã e Santa Luzia (POAC)”.

Ao mesmo jornal a Celpa responde que cumpriu os projetos aprovados, falando de “pontuais incumprimentos” que recebe “com surpresa e indignação” e esclarece que apesar de “não ser formalmente responsável pela manutenção das áreas em causa” terá pedido “de imediato” ao ICNF a reposição da legalidade.

Descoberto o caso, compromete-se agora, a partir da próxima semana a “iniciar um processo interno de identificação minuciosa de toda a área já intervencionada e eventualmente caracterizar as situações que forem encontradas e que não cumpram os requisitos legais”.

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