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Peça "Retornos, exílios e alguns que ficaram" levada à cena entre 7 e 10 de junho

O espetáculo, que “inaugurou o trabalho do Teatro do Vestido sobre as memórias da descolonização e do retorno de milhares de pessoas das ex-colónias portuguesas para a chamada 'metrópole'”, é apresentado esta quinta-feira, às 21h, no Palácio Sinel de Cordes, em Lisboa.
Foto de Duarte Costa, publicada no site do Teatro do Vestido.

Com texto, direção e espaço cénico de Joana Craveiro, a peça Retornos, exílios e alguns que ficaram foi construída “a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas”.

A peça foi criada especificamente para ser apresentada no Solar do Dão, em Viseu, que serviu como um dos locais de residência do Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais (IARN) entre 1975 e 1991. E foi precisamente na região de Viseu, que, “num trabalho aprofundado que combina a pesquisa etnográfica no terreno, a história oral, e a investigação histórica” foram recolhidos os testemunhos de diversos quadrantes.

“Neste espectáculo, procuramos ir para além do eles, para descobrir a singularidade de cada uma das histórias, onde eles próprios se assumem ou como retornados, ou como refugiados, ou como exilados, ou até como nada disso, como pessoas só, apanhadas num momento histórico de grande complexidade e que os afectou de uma forma directa e imediata”, explica Joana Craveiro.

A representação, interpretada por André Amálio, Inês Rosado, Isabelle Coelho, Joana Craveiro, Rosinda Costa e Tânia Guerreiro, vai ser levada à cena no Palácio Sines de Cordes, ao Campo de Santa Clara, junto à Feira da Ladra, em Lisboa, e é um acolhimento do Teatro Nacional D. Maria II.

A partir de 21 de junho, e até 1 de julho, a peça Filhos do retorno, também do Teatro do Vestido, vai estar em palco na sala Estúdio do D. Maria II.

“Funcionando como um espelho invertido de Retornos, Exílios e Alguns que Ficaram, Filhos do Retorno procura perceber como é que as memórias que são transmitidas pela geração que retratamos nesse outro espectáculo são assimiladas ou questionadas pelos seus descendentes”, lê-se na apresentação do espetáculo.

Estreada no Porto, a peça estará em cena às quartas-feiras, às 19h30, de quinta a sábado, às 21h30, e, aos domingos, às 16h30.

No dia 24 de junho, após a representação de Filhos do Retorno, será lançado o livro Teatro do Vestido: um dicionário, coeditado pelo D. Maria e pela companhia Teatro do Vestido, em parceria com BdM (coleção "Estudos").

A obra é coordenada pelo professor universitário José Alberto Ferreira e por Tânia Guerreiro, que convidaram 21 personalidades de diferentes áreas a escrever sobre um determinado tema, palavra ou questão do universo temático e dramatúrgico da companhia Teatro do Vestido.

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