As fortunas dos portugueses mais ricos cresceram em 2024, enquanto a crise de habitação se adensa e cada vez mais pessoas são empurradas para a auto-construção de habitação por não terem onde morar. As fortunas dos 50 mais ricos de Portugal perfazem um património de cerca de 45 mil milhões de euros, correspondente a 17% do PIB português em 2023.
As dez famílias mais ricas dessa lista por si possuem um património de cerca de 24,2 mil milhões de euros, agregando 9% da riqueza produzida em Portugal em 2023. Todos os nomes no top 25 têm um património superior aos 300 milhões, segundo o Jornal Económico.
A família mais rica de Portugal é por longa margem a Amorim, com uma fortuna avaliada em 5.400 milhões de euros e investimentos na indústria fóssil, como a Galp, e no negócio de família, a Corticeira Amorim. A segunda mais rica é a família Guimarães de Mello, com uma avaliação de 3.329 milhões de euros e investimentos na saúde privada da CUF, na indústria química da Bondalti e nas infraestruturas com a Brisa. Em terceiro lugar está a família Soares dos Santos, com investimentos na Jerónimo Martins e Sociedade Francisco Manuel dos Santos, e com uma fortuna de 2.942 milhões de euros.
Ao mesmo tempo que estas famílias aumentaram as suas fortunas em 2024, a generalidade da população viu as suas condições de vida degradarem-se, sobretudo através da crise de habitação. Ocupações e construção de barracas são uma realidade que volta às grandes cidades portuguesas, com cada vez menos gente a ter a possibilidade de pagar uma renda ou uma prestação ao banco. Isso significa também que os salários reais de quem trabalha encolhem.
Em fevereiro, os preços de habitação tiveram a maior subida mensal dos últimos 12 meses e Portugal estava destacado nos estudos da OCDE como o país onde é mais difícil comprar casa. Apesar disso, 2024 foi o melhor ano de sempre para as imobiliárias.