As empresas imobiliárias bateram recordes de venda a estrangeiros em 2024. As receitas de transações ultrapassaram, em vários casos, mil milhões de euros, e a faturação registou subidas de 30%, impulsionadas pelo segmento de luxo e por compradores internacionais.
Os compradores estrangeiros de imóveis em Portugal cresceram e, segundo o Jornal de Notícias, chegaram a ultrapassar os nacionais em termos de percentagens de negócios imobiliários. Essa tendência também se verifica no imobiliário não destinado a habitação.
Segundo dados da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, revelados ao Jornal de Notícias pela vice-presidente da associação, estima-se que tenham sido vendidos 50 mil imóveis em 2024, com receitas de cerca de 30 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 20% face ao volume investido em 2023.
Entrevista
Luís Mendes: "Os preços da habitação começam a situar‑se num nível completamente estratosférico"
O terceiro trimestre de 2024 foi o trimestre com mais casas vendidas de sempre, totalizando 64 mil. O Banco Central Europeu garantiu a estabilização das taxas de juro, pelo que se prevê que o mercado continuará em tendência crescente, agravando a crise de habitação.
Entre as imobiliárias que mais lucraram está a Remax, que possui a maior quota de mercado, fechando o ano com um volume total de vendas de 7,12 mil milhões de euros. A média de cada negócio é de 165 mil euros e a CEO da Remax confirma ao JN que os apartamentos aumentaram 6,6% em preço e as moradias 18%.
A ERA, Century 21 Portugal e Keller Williams também registaram aumentos entre os 20% e os 30% na faturação anual, com preços médios de imóveis mais altos, a rondar os 200 mil euros.
No final de janeiro, os dados revelados pelo INE revelavam que o aumento do preço das casas no terceiro trimestre de 2024 foi de 10,8% relativamente a 2023. No mesmo mês, o Público noticiava que as barracas estão a aumentar por falta de soluções habitacionais. O Bloco de Esquerda questionou esta quarta-feira o governo sobre as auditorias aos vistos gold, que facilitam a compra de habitação por cidadãos estrangeiros pela atividade de investimento.