"Espero que não haja uma leitura no futuro tão restritiva do princípio da confiança que nos impeça no fundo de fazer tudo - quer dizer, nem poder baixar os salários ou as pensões, nem poder reduzir o emprego, porque então isso significaria que o Estado só conseguiria financiar-se à custa dos impostos e eu não acredito que o País consiga suportar mais aumentos de impostos para resolver o problema do Estado", afirmou o primeiro-ministro em Bragança, citado pelo jornal i. Logo a seguir, reforçou o argumento, dizendo esperar "que esta leitura que o Tribunal Constitucional fez do princípio da confiança não se venha no futuro a revelar tão estreita tão estreita que, no fundo, nada se consiga alterar no lado do Estado, estruturalmente. Isso seria uma péssima notícia para o País e seria sobretudo uma indicação muito negativa para os mercados financeiros e para os nossos credores oficiais".
Passos Coelho fez estas declarações em Bragança, onde o autarca do PSD organizou uma festa de despedida com recurso a dinheiros públicos. Impedido de se recandidatar por causa da lei de limitação dos mandatos, Jorge Nunes resolveu juntar à inauguração das obras de reabilitação dos Paços do Concelho, orçadas em 12,3 milhões de euros, um mega-almoço oferecido à população, para o qual a Câmara de Bragança diz ter aceite duas mil reservas.
À espera de Passos Coelho estava um grupo de funcionários públicos da escola de Bragança ostentando folhas de papel onde se lia “Excedentários são o 1.º Ministro e companhia, Lda” ou “Se querem cortar, cortem nas vossas mordomias”. Mas o primeiro-ministro passou pelos manifestantes sem lhes dirigir a palavra, preferindo guardar as palavras para os juízes do Tribunal Constitucional, a centenas de quilómetros de distância. “É preciso estudar e ver exactamente quais são as objeções que o Tribunal Constitucional tem e de que forma é que nós poderemos ultrapassar essas objeções", declarou Passos Coelho.