A coordenadora bloquista, Catarina Martins, que falava num comício no calçadão de Quarteira, a metros de onde se vai realizar na sexta-feira à noite a Festa do Pontal com a presença do primeiro-ministro descreveu o evento como “a festa onde - Passos Coelho - sempre prometeu a recuperação económica que nunca aconteceu”.
“A cada ano dizia que para o ano é que era, lembram-se? Todos os anos veio aqui ao Pontal dizer para o ano é que é e nunca foi. E daqui a dois dias, o que o povo de Quarteira e o povo que está em Quarteira pode ir perguntar ao senhor primeiro-ministro é que sinal positivo vê ele nos 15 mil funcionários públicos que quer despedir?”, desafiou Catarina Martins, perante dezenas de pessoas.
Em relação aos números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística na quarta-feira, que indicaram um crescimento da economia portuguesa de 1,1% em cadeia no segundo trimestre do ano, a coordenadora do Bloco de Esquerda considerou “precipitado” dizer que Portugal está a sair da recessão, uma vez que, em termos homólogos face a 2012, o Produto Interno Bruto desceu dois por cento.
“Que sinal positivo pode haver para a nossa economia se o Governo continua a insistir em tudo o que destrói o país?”, inquiriu Catarina Martins, que acusou o executivo de só saber “criar destruição”.
De acordo com a estimativa rápida hoje divulgada, a economia terá crescido 1,1% entre abril e junho deste ano, em comparação com os primeiros três meses do ano, altura em que caiu 0,4% também em cadeia (face ao trimestre imediatamente anterior).
No entanto, em termos homólogos o PIB continua a cair. A quebra apresentada neste segundo trimestre do ano foi de 2% face a igual período do ano passado, e só não foi mais expressiva devido a uma queda mais leve do investimento (em especial na construção) e por um efeito de calendário (a celebração da Páscoa em março deste ano, quando no passado foi em abril) que provocou assim uma aceleração expressiva das exportações de bens e serviços.
Catarina Martins defendeu uma “alternativa de esquerda” com “gente de vários partidos”
A coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou que um cenário desse tipo só pode avançar com “gente de vários partidos” que diga o "essencial: o país nunca poderá pagar esta dívida como ela está e terá de a renegociar".
“Sabemos que independentemente do que disser António José Seguro, há muitos socialistas que também querem esse caminho. Fazemo-lo abrindo todas as portas porque temos de ser cada vez mais”, afirmou a dirigente do Bloco de Esquerda.
Catarina Martins recordou que, em julho, “o PS preferiu até à última hora negociar com o Governo do que se sentar com o Bloco de Esquerda em reuniões que tinham dois pontos na agenda, sem condições: o que fazer com a dívida, que está impagável, e o que fazer com os serviços públicos”.
“O PS disse que não estava interessado. Que estava interessado em negociar com o Governo a tal salvação do programa de ajustamento da ‘troika’. Fez mal”, disse a dirigente bloquista.