Enquanto os utentes dos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa já têm acesso desde julho ao desconto que permite a uma família viajar nos transportes públicos da região por 80 euros mensais — ou 60 euros, no caso das viagens em apenas um concelho —, através do passe-família, a medida tarda em ser aplicada às famílias dos 17 municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP).
A entidade presidida pelo socialista Eduardo Vítor Rodrigues começou por justificar o atraso com "constrangimentos técnicos" que não permitem acautelar situações de "fraude”, mas passados cinco meses as famílias da AMP ainda esperam que o passe-família deixe de ser apenas uma promessa.
Em declarações à agência Lusa, a deputada do Bloco de Esquerda Maria Manuel Rola considerou "essencial" que a medida saia "de uma vez da gaveta”. Depois de ter chamado Eduardo Vítor Rodrigues a dar explicações no parlamento em março, logo quando se soube que a AMP não iria lançar o passe-família ao mesmo tempo que a AML — um convite a que o presidente da AMP não acedeu —, o Bloco decidiu agora solicitar uma reunião com Eduardo Vítor Rodrigues “para perceber quais são os problemas que levam a esta tardia aplicação do Passe Família", disse Maria Manuel Rola esta segunda-feira, durante uma ação de contacto com a população a propósito deste atraso.
Para a deputada do Bloco, os “constrangimentos técnicos” que servem de justificação para o atraso podem ser ultrapassados se houver “vontade política” das áreas metropolitanas para isso. "De facto, na Área Metropolitana de Lisboa foi possível ultrapassar essas questões que estão a ser levantadas. O que nos parece é que, havendo vontade política e havendo iniciativa por parte das áreas metropolitanas que têm essa responsabilidade, é possível implementar o Passe Família. Nesse sentido, parece-nos que o atraso entre a Área Metropolitana do Porto e a de Lisboa não se justifica", afirmou Maria Manuel Rola.
Para além da questão do atraso do passe-família, o Bloco pretende discutir também com o presidente da AMP “a necessidade de maior investimento nas infraestruturas e também a dificuldade e a desigualdade que se encontra na aplicação nas áreas metropolitanas e nas comunidades intermunicipais”, acrescentou a deputada.