Parlamento

Partidos à esquerda juntam-se para repor 100% do salário no lay-off das vítimas da tempestade

18 de fevereiro 2026 - 16:05

Deputados do Bloco de Esquerda, PCP e Livre requerem apreciação parlamentar do diploma porque “o Governo não honrou o compromisso de proteção total do rendimento que tinha assumido”.

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Sala do plenário da Assembleia da República
Sala do plenário da Assembleia da República. Foto de Ana Mendes

Logo após a depressão Kristin que levou à paragem forçada da laboração de muitas empresas nos distritos de Leiria e Coimbra, o Governo anunciou a aplicação do regime de lay-off simplificado com pagamento de 100% do salário aos trabalhadores abrangidos. Mas dias depois o Ministério do Trabalho recuou no compromisso, aplicando as regras gerais do lay-off que preveem o pagamento de apenas 66% do salário a estes trabalhadores.

Os deputados do Livre, PCP e Bloco de Esquerda anunciaram esta quarta-feira a iniciativa conjunta para obrigar à discussão deste decreto na Assembleia da República, propondo que seja alterado no sentido do compromisso inicial do Governo de estabelecer a compensação a 100% da retribuição normal ilíquida dos trabalhadores.

“O Governo não honrou o compromisso de proteção total do rendimento que tinha assumido, optando por um regime que, na prática, aplica as regras de um lay-off normal a situações de absoluta excecionalidade”, afirma o texto da iniciativa, sublinhando que isso “penaliza gravemente os trabalhadores das zonas afetadas, que veem os seus rendimentos reduzidos num período em que enfrentam despesas extraordinárias de reconstrução e perda de bens pessoais”.

“É preciso honrar a palavra do Estado português com estes trabalhadores que ficarão sem poder trabalhar por razões que lhes são completamente alheias”, afirmou o deputado bloquista Fabian Figueiredo, lembrando que “estamos a falar de salários baixos” e que nos termos do atual decreto todos os que ganham acima do salário mínimo irão perder salário.

Medidas do “escudo social do Bloco” vão a debate a 25 de fevereiro

“Esperamos que a Assembleia da República corrija o Governo”, prosseguiu o deputado, acrescentando que o debate potestativo agendado pelo Bloco para o dia 4 de março com as propostas do partido para um “escudo social” que proteja as vítimas das tempestades foi antecipado para o dia 25 de fevereiro. 

O Bloco desafia os restantes partidos a apresentarem as suas propostas e já apresentou dez medidas que incluem  o reforço do apoio extraordinário às famílias, a prorrogação do subsídio de desemprego por mais seis meses, a isenção de IMI para as casas de habitação própria e permanente afetadas ou indemnizações justas para as vítimas de incapacidade e para os familiares dos que morreram durante e após a tempestade.

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