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Parlamento grego aprova ainda mais austeridade, a caminho do sexto ano de recessão

Pensionistas e funcionários públicos são os que mais contribuem para o novo quadro de austeridade de quase 10 mil milhões de euros, o plano do Orçamento para 2013 aprovado este domingo, no parlamento grego.
Este domingo, nas ruas, novamente, milhares de pessoas mobilizadas pelos sindicatos protestavam contra a proposta do Governo, que contém as bases de mais um ano de agressiva austeridade.

O Parlamento grego aprovou este domingo à noite o Orçamento de Estado para o próximo ano, condição imposta pela troika para a libertação de uma nova tranche de ‘ajuda’, no valor de 31,5 mil milhões de euros.

Na quinta-feira passada, o pacote acordado com a troika, de 13,5 mil milhões de cortes, foi aprovado no parlamento grego com 153 votos a favor em 299 deputados. Pasok e Nova Democracia expulsaram deputados que não respeitaram a disciplina de voto e, em frente ao parlamento, perto de 100 mil pessoas manifestaram-se contra a austeridade sem fim, no segundo dia de greve geral. Os representantes da Syriza no parlamento grego juntaram-se ao protesto, segurando uma faixa na entrada do parlamento, em Atenas, onde se lia “Vocês destroem o país – saiam agora”.

Agora, na votação do orçamento, os partidos que integram a coligação governamental formaram uma confortável maioria para fazer passar o pacote legislativo. Nas ruas, novamente, milhares de pessoas mobilizadas pelos sindicatos protestavam contra a proposta do Governo, que contém as bases de mais um ano de agressiva austeridade.

O Orçamento para 2013 prevê um ajustamento financeiro de 10 mil milhões de euros nos encargos do Estado, com 15% deste sacrifício a ser pedido aos pensionistas e cerca de 12% a resultar de cortes nos salários da função pública. Forças Armadas, sector da saúde, sistema nacional de educação são outras rubricas do documento que evidenciam cortes profundos.

Com este grave quadro de austeridade, a economia grega cumprirá um sexto ano de recessão, com um recuo no produto interno bruto estimado em 4,5%. O défice do Estado deverá cair de 6% para 5,2% e a dívida pública vai voltar a disparar dos atuais 175% do PIB para 190%.

“A única extensão de que necessitamos é para a corda com que nos vamos enforcar”

Antes das votações no parlamento grego, esta quinta-feira, o líder da coligação de esquerda Syriza, Alex Tsipras, defendeu a realização de novas eleições, argumentando que o governo não está a cumprir o seu programa, que não foi legitimado pelo povo.

Para Tsipras, os esforços do governo para assegurar uma extensão para o ajustamento fiscal são redundantes. “A única extensão de que necessitamos é para a corda com que nos vamos enforcar”, frisou.
 

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