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Parlamento Europeu apoia iniciativa pelo acesso ao aborto seguro na UE

17 de dezembro 2025 - 16:55

Iniciativa cidadã europeia My Voice My Choice juntou mais de um milhão de assinaturas. Esta quarta-feira o Parlamento Europeu aprovou uma recomendação que reúne as propostas da iniciativa para combater a falta de acesso ao aborto em segurança.

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Faixa da Esquerda no Parlamento Europeu
Foto The Left

Com 358 votos a favor, 202 contra e 79 abstenções, o Parlamento Europeu aprovou a resolução que vai ao encontro da iniciativa cidadã europeia My Voice My Choice. Esta campanha juntou um milhão e duzentas mil assinaturas em vários países para levar ao Parlamento Europeu a denúncia de que “a falta de acesso ao aborto em muitas partes da Europa não só coloca as mulheres em risco de danos físicos, mas também impõe um stress económico e mental indevido às mulheres e às famílias, muitas vezes marginalizadas pela sociedade e com menos recursos financeiros”.

Para contrariar esta situação, a iniciativa propunha a criação de um mecanismo de apoio financeiro aos Estados-membros para realizarem interrupções voluntárias da gravidez a cidadãs que vivem em países da UE e não têm acesso ao aborto legal e seguro.

Para a eurodeputada e candidata presidencial Catarina Martins, que apoiou a iniciativa, este avanço no direito ao aborto na União Europeia, num cenário de crescimento das força de extrema-direita, “é um enorme sinal de esperança”.

“Foi apenas o primeiro passo, mas prova que a mobilização popular continua a ser a chave para avanços nos direitos das mulheres”, afirmou Catarina ao Esquerda.net.

Na terça-feira, o grupo parlamentar da Esquerda desfraldou a maior faixa de sempre dentro das instalações do Parlamento Europeu em apoio a esta iniciativa.

A campanha sublinhou que “existe um forte consenso entre os organismos científicos e internacionais de que tratar os cuidados reprodutivos como um luxo não reduz o número de abortos, mas simplesmente leva as mulheres a procurar abortos inseguros”. E exigia “uma política mais justa que expresse os nossos valores europeus de forma mais concreta e compassiva”.

Na resolução agora aprovada pelo Parlamento Europeu, é recomendada à Comissão Europeia a criação de um mecanismo financeiro voluntário para todos os países da UE e financiado pela UE para que esse Estado-membro possa garantir o acesso ao aborto em segurança e de acordo com a lei vigente nesse Estado a qualquer pessoa que não tenha acesso ao aborto legal e seguro no seu país. 

A resolução apela ainda ao reforço da ação europeia em matéria de direito à saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planeamento familiar, contraceção acessível e saúde materna. Os eurodeputados afirmam-se preocupados com os ataques à saúde sexual e reprodutiva e aos defensores dos direitos das mulheres em muitos países, condenando esses movimentos que minam a igualdade e os direitos humanos em todo o mundo.

Por exemplo, em países como a Polónia, Hungria ou Malta o direito ao aborto é na prática negado às mulheres, enquanto em Itália está sob forte ataque do Governo. No caso português, apesar de a lei o permitir desde a vitória no referendo de 2007, na prática o recurso dos médicos à objeção de consciência leva a que sejam poucos os hospitais públicos que fazem IVG, obrigando muitas mulheres a recorrer ao privado ou a ir a Espanha. 
 

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