Trabalho

Parlamento aprova lay-off a 100% para vítimas das tempestades

04 de março 2026 - 15:32

Proposta do Bloco foi aprovada na Comissão de Trabalho. Fabian Figueiredo diz que é “uma vitória para quem mais precisa” e não acredita que o Governo faça um braço de ferro com a Assembleia da República para prejudicar os trabalhadores que têm de reconstruir a sua vida.

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Efeitos do mau tempo na região de Leiria devido à passagem da depressão Kristin.
Efeitos do mau tempo na região de Leiria devido à passagem da depressão Kristin. Foto de António Pedro Santos/Lusa

Na sequência da apreciação parlamentar conjunta do Bloco, PCP e Livre, a Comissão de Trabalho aprovou esta quarta-feira a proposta do Bloco de Esquerda para garantir o pagamento do lay-off a 100% aos trabalhadores das zonas afetadas pela depressão Kristin.

O pagamento do lay-off sem corte de salário tinha sido prometido pelo Governo logo após a catástrofe que se abateu sobre o centro do país, mas o decreto que publicou passados três dias “cortava um terço do salário”, lembrou Fabian Figueiredo no final da reunião da Comissão parlamentar de Trabalho.

O deputado bloquista espera agora que a seguir à votação em plenário, que pode realizar-se já esta sexta-feira, haja “um processo de promulgação célere junto do Presidente da República para que num curtíssimo espaço de tempo esta alteração à lei passe a produzir efeito e se constitua o direito a 100% da remuneração”. A aprovação desta proposta “é uma vitória de quem mais precisa”, acrescentou.

Do debate em comissão, acrescentou o deputado do Bloco, “ficou reconhecido que não há nenhuma colisão com a norma-travão” da despesa orçamental, um argumento que o Governo tinha invocado para tentar impedir os deputados de impedirem o corte salarial. Ainda durante o debate, “o PSD começou por dizer que estes efeitos só se produziriam a partir do próximo Orçamento do Estado, mas no final a coordenadora do PSD na comissão dizia que se iria pagar desde já”.

“Não queremos acreditar que o Governo quer produzir um braço de ferro com a Assembleia da República e com isso criar constrangimentos à tesouraria das empresas”, prosseguiu Fabian Figueiredo, concluindo que os prejudicados desse braço de ferro ”são os trabalhadores das zonas afetadas”.

Caso o Governo insista em fazer esse braço de ferro, a lei agora aprovada “no pior dos cenários, produz efeitos a seguir ao próximo Orçamento do Estado. No entanto, a Segurança Social pode pagar se receber orientações do Governo porque há dotações e receitas extraordinárias que podem ser mobilizadas, ou pode também entrar no PTRR”, sublinhou.

Fabian Figueiredo apelou a “que se chegue de uma vez por todas a um consenso: quem ficou sem casa ou vai ter de reconstruir a sua vida não o deve fazer com o salário cortado”. E referiu que o custo da medida as contas da Segurança Social “é muito residual”, pois os dados públicos apontam que “são pouco mais de mil trabalhadores que entraram em lay-off”.

O deputado chamou a atenção para outra medida que o Governo aprovou e que tem um “fortíssimo impacto na Segurança social”: a isenção total de pagamento da TSU durante seis meses. “Nós propusemos, mas não conseguimos fazer aprovar na especialidade, que a despesa da Segurança Social com esta medida fosse compensada pelo Orçamento do Estado”, lamentou.