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Parceiros de coligação ameaçam continuidade do governo italiano

O Movimento 5 Estrelas e o partido do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi contestam o governo liderado pelo Partido Democrata e do qual fazem parte.
Guseppe Conte
Guseppe Conte. Foto União Europeia©

A Itália pode estar à beira de nova crise política, com o governo liderado pelo independente Giuseppe Conte a ser contestado por alguns dos partidos que integram a coligação no poder. A fragilidade desta maioria agora comandada pelo Partido Democrata, que assumiu o executivo após a saída da Lega de Salvini e manteve o primeiro-ministro, ficou evidente esta semana nas declarações de dirigentes do Movimento 5 Estrelas e do Italia Viva.

O partido fundado por Beppe Grillo atravessa uma crise interna profunda e viu os resultados eleitorais caírem a pique nas últimas eleições europeias e regionais. A par disso, a queda do seu governo de coligação com a extrema-direita de Salvini e o apoio ao novo governo com o Partido Democrata levou a uma sangria no seu grupo parlamentar, com duas dezenas de deputados a abandonarem a bancada.

O seu líder demissionário e atual chefe da diplomacia italiana, Luigi di Maio, apelou aos italianos para que se manifestem este fim de semana contra o governo, acusando-o de querer reverter algumas das medidas que nasceram da sua iniciativa ainda durante o anterior governo, como o corte nas pensões dos deputados ou o rendimento básico universal. Este protesto é uma forma de o Movimento 5 Estrelas tentar recuperar as suas bandeiras originais e que lhe permitiram ter o apoio eleitoral que transformou o mapa político italiano.

Também esta semana, o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi — que saiu do Partido Democrata para formar o Italia Viva, partido que aparece nas sondagens com cerca de 4% das intenções de voto — veio desafiar o primeiro-ministro a procurar formar uma nova coligação de governo, após a aprovação de uma lei sobre a prescrição de crimes. Renzi ameaçou também apresentar um voto de censura ao ministro da Justiça, Alfonso Bonafede, do Movimento 5 Estrelas.

“Caso isso aconteça, agirei em conformidade”, respondeu o primeiro-ministro, sugerindo que pediria a demissão nesse cenário. “Não queremos substituir o Italia Viva por outro partido na coligação, mas eles têm de ser claros sobre o que querem fazer”, acrescentou Giuseppe Conte, citado pela Reuters.

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