Numa videoconferência realizada esta quinta-feira com os membros do comité de Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu, o primeiro-ministro da Palestina acusou Israel de estar a tentar sabotar as primeiras eleições no território desde 2006. Os palestinos vão às urnas a 22 de maio para eleger deputados e regressarão a 31 de julho para as eleições presidenciais.
“Israel está infelizmente a sabotar o processo, a tentar travá-lo e a tentar estragá-lo”, disse Mohammad Shtayyeh aos eurodeputados, citado pelo EU Observer, apelando ao apoio da União Europeia para que as eleições se possam realizar em liberdade e segurança.
O governante acusa Israel de estar a impedir a montagem de postos de recenseamento nos territórios ocupados de Jerusalém ou a realização de encontros de candidatos naquela cidade. “Isto vai totalmente contra os acordos que assinámos com Israel”, lembrou o primeiro-ministro da Palestina, sublinhando que os palestinos puderam votar em Jerusalém oriental nos sufrágios de 1996, 2005 e 2006.
A União Europeia solicitou em fevereiro ao governo israelita a autorização para o envio de uma missão de observação eleitoral à Palestina, à semelhança do faz em eleições por todo o mundo. Mas a resposta de Israel foi o silêncio e este atraso está a comprometer esse apoio e fiscalização ao processo eleitoral.
Na terça-feira, um grupo de várias dezenas de eurodeputados, incluindo os bloquistas Marisa Matias e José Gusmão, escreveram ao embaixador de Israel junto da União Europeia para exigir o acesso dos observadores europeus às eleições de maio e julho.
“Impedir a União Europeia de apoiar a democracia é inaceitável, qualquer que seja o sítio onde isso ocorra”, dizem os eurodeputados, acrescentando que a UE tem uma responsabilidade acrescida enquanto principal doadora da Autoridade Palestiniana.