Shahd Wadi

Shahd Wadi

Palestiniana. Doutorada em Estudos Feministas pela Universidade de Coimbra, a sua dissertação serviu de base o livro “Corpos na trouxa: histórias-artísticas-de-vida de mulheres palestinianas no exílio” (2017). Obteve o grau de mestre na mesma área pela mesma universidade com uma tese intitulada “Feminismos de corpos ocupados: as mulheres palestinianas entre duas resistências” (2010)

E o que as mulheres têm a ver com esta palavra? A Paz habitou apenas nas mãos de homens durante um aperto que dividiu a Palestina em ilhas … mas continuam a chamá-la Palestina, ilha prisão, ilha checkpoint, ilha muro, ilha colonato, ilha apartheid, ilha sem respiração, ilha inferno: Gaza.

Antes do bloqueio, Gaza enviava ao mundo mais de quarenta milhões de cravos por ano. Em Gaza foram plantados escombros sem seres vivos – os cravos não salvam vidas, nem as deles próprios.

Num corpo palestiniano mora um homem de Gaza. É sentado, mas é à força. As suas mãos, atadas, perderam o movimento. Observo a fotografia e aproximo o meu ouvido do som do corpo palestiniano.

Enquanto lhe choviam rockets na cabeça, Eman dizia: “rezo para que chova jasmim”. Com ela, irei sacudir os meus corpos mortos, levantar a minha bandeira e a minha dança.
Esta crónica foi inspirada pelas publicações do povo palestiniano livre.

São versos de um poema que escolheu mudar de autor. Foi publicado no jornal das Panteras Negras e durante mais de quatro décadas, circulou sob o nome de George Jackson, até que foi revelado que se tratava de um “erro”. É um poema do poeta palestiniano de resistência Samih Al-Qasim (1939 - 2014).

Este ano, a comunidade palestiniana e organizações amigas participaram formalmente na Marcha de Orgulho de Lisboa, trazendo a voz queer palestiniana e a sua luta interseccional contra um complexo sistema opressivo. Uma voz que diz ao mundo que no muro do apartheid não há portas cor-de-rosa.

As “palmeiras andantes” são uma espécie de árvores que se deslocam do seu lugar à procura de solo e sol. Não foi por acaso que esta história foi partilhada por um grupo de mulheres imigrantes, que, como eu, estão na sua andança infinita à procura de uma terra e luz.

Sou eu, mas o sistema não aceita o meu nome. Não aceita nem sequer uma cunha de Jesus Cristo para uma menina que, segundo a funcionária, a merece, porque é da terra dele próprio.

Todas as pessoas na Palestina são, de uma forma ou de outra, prisioneiras. Todavia, o dia 17 de Abril é dedicado especificamente às pessoas encarceradas nas prisões militares israelitas por razões políticas. Por Shahd Wadi.

Durante a quarentena, várias plataformas virtuais estão a disponibilizar filmes e documentários palestinianos, na sua maioria gratuitos. Estes filmes mostram que a resiliência do povo palestiniano acontece igualmente no ver e fazer cinema. Por Shahd Wadi.