Mariana Mortágua marcou presença esta sexta-feira na Escola Passos Manuel em Lisboa onde se realizava uma manifestação em dia de greve nacional da Função Pública. A coordenadora bloquista disse aí que “o país não pode continuar assim” já que “está enredado por uma economia e uma política de baixos salários” e “as pessoas não recebem o suficiente para conseguirem enfrentar as despesas básicas de alimentação, ou para conseguir arrendar uma casa, ou para conseguir comprar uma casa”. Assim, “as coisas mais básicas da vida não estão asseguradas pelos salários que hoje são pagos em Portugal”.
Para a dirigente partidária esta situação “também é verdade no setor público” no qual “uma boa parte dos funcionários públicos recebe mil euros ou abaixo de mil euros” como “os assistentes operacionais, os técnicos que suportam os hospitais, que mantêm os hospitais abertos, os centros de saúde, os tribunais, as escolas, os serviços públicos como nós os conhecemos”. Valores que tornam “impossível” pagar uma renda.
Mariana Mortágua recorda que “a perda de rendimentos foi muito forte ao longo dos últimos anos, a inflação acumulada de mais de 14%, muito acentuada nos bens alimentares, e na habitação”. Face a isto, o governo deveria aumentar os salários “para compensar todo o poder de compra que foi perdido e, mais do que isso, para garantir que o trabalho possibilita uma vida digna”. E “o Estado, enquanto patrão, tem que ser o mais exemplar”.
Questionada sobre a eficácia do protesto, retorquiu que quando as pessoas mobilizam, quando saem à rua, exercem o seu direito a fazer greve e se fazem ouvir “as coisas mudam”. Dada a “geometria” atual do Parlamento” e a “arrogância desta maioria” a “mobilização das pessoas” é, aliás, sublinhou, o que pode fazer a diferença: “Tem de ser a organização das pessoas que trabalham, que vivem com diversas dificuldades, a pressionar o governo”.
Para além disso, “temos de nos lembrar sempre de uma coisa, aquilo que está a ser exigido ao governo, são mínimos de dignidade que é pagar um funcionário público, um salário que lhe permita conseguir pagar uma renda ao final do mês e conseguir ter uma vida digna”. Esta greve é vista assim como um passo no sentido de assegurar “estas reivindicações básicas”.
Para além da questão salarial, a greve é também uma forma de defender os serviços públicos. A coordenadora do Bloco afirma que quando os profissionais de saúde se mobilizam é porque sabem que “se não houver transformações na SNS daqui a dez anos, as gerações que vêm não vão ter SNS”, quando os professores, os auxiliares das escolas se mobilizam, é porque sabem que há neste momento alguns sem aulas, porque não há professores que cheguem, porque ninguém quer ir por uma carreira de professor que está estrangulada e com salários dos auxiliares que não chegam a mil euros por mês”. Assim, os funcionários públicos mobilizam-se porque porque sabem a importância que os serviços públicos têm para a vida de qualquer pessoa neste país”.
Para além das questões relacionadas com a greve, os jornalistas presentes questionaram ainda sobre a decisão do governo de não limitar o aumento das rendas. Mariana Mortágua reiterou que ao fazê-lo o executivo “desistiu completamente”, dizendo às pessoas, “esqueçam, os preços das casas não vão baixar”. E este não é “um pequeno problema” mas “uma condição básica de sobrevivência”.
Em vez de baixar o preço das casas “o Governo diz que os preços das casas vão continuar a ser impossíveis, vão continuar a dar a ganhar à ganância, à especulação, aos interesses imobiliário” mas este decidirá “quem é que tem acesso a um subsídio à renda”.
O grande problema é que “a maior parte das pessoas que pagam renda não têm acesso a subsídio” e “estão reféns de critérios de condição de recursos” e “não conseguem ter acesso a subsídio porque simplesmente não cumprem um dos critérios”. Para além disso, outro problema é que “centenas de milhares de pessoas que são trabalhadoras” e “depois dependem do apoio do Governo para poder pagar a sua casa”. Ou seja, as pessoas “ficam dependentes das regras que o Governo encontra e da vontade do Governo de alargar ou encolher esse subsídio, de mudar as suas regras”.
Para o Bloco, “o que é mesmo necessário é que os preços baixasse para valores que as pessoas possam pagar” sendo “o primeiro passo” “congelar rendas em 2024”.