Pagar um banco, não mandar nele, e entregá-lo a um fundo abutre é um erro

01 de abril 2017 - 14:22

Nesta altura é preciso que o governo tome alguns passos. O governo sabe que o governo não tem maioria no parlamento. A hipocrisia da direita não ajuda. Foi a direita que permitiu que Portugal fosse utilizado como cobaia de uma solução que correu tão mal que não foi aplicada em mais nenhum país.

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Catarina Martins
Catarina Martins

Em visita ao concelho de Ponte de Sor para apresentação dos candidatos autárquicos, Catarina Martins respondeu a questões dos jornalistas sobre a venda do Novo Banco ontem anunciada pelo governo. 

"Neste negócio o Lone Star não paga nada pelo banco. Os contribuintes não recebem nada do que já perderam com a resolução do BES. E o Estado assume obrigações para o futuro, ou seja, não só os contribuintes não reveem-se o que já perderam como podem vir a perder mais no futuro."

Sobre a partilha de gestão que o governo diz manter através do Fundo de Resolução, a coordenadora do Bloco considera que o risco se mantém: "acresce que o Estado mantém responsabilidades para com o banco mas não tem nenhum poder na sua gestão. Ou seja, o fundo abutre Lone Star pode vir sozinha a aumentar muito as perdas públicas. É um erro. Pagar um banco, não mandar nele, entregá-lo a um fundo abutre é um erro. O Bloco avisou o governo vezes sem conta que podíamos pensar noutra solução que quebrasse o ciclo de limpar bancos privados com dinheiros públicos para voltar a entregar a privados." 

Para Catarina Martins, o Bloco continua disponível para discutir alternativas: "Estivemos disponíveis desde o primeiro momento para uma decisão que seria difícil e com custos mas que teria menos custos no futuro como a solução da nacionalização. Continuamos a pensar que a nacionalização embora difícil ficaria mais barata no futuro e nós temos a responsabilidade de acabar com a constante sangria de dinheiros públicos para bancos falidos. o Bloco predispôs-se ao governo para um caminho que alterasse a forma como temos lidado com estas sucessivas crises bancárias." 

"O governo, ao fazer o que o Banco de Portugal quis, e que a comissão europeia também quis, comete um erro que tem sido cometido vezes de mais. Este é o momento em que o país precisa de uma mudança na forma como nos relacionamos com o sistema financeiro." 
 
"É muito difícil para toda a gente neste país perceber que tenha sido tão difícil negociar valores abaixo dos 500 milhões no orçamento de estado de euros, para reformas que estão abaixo do nível de pobreza e, depois seja tão fácil haver um negócio que possa vir a criar 8 mil milhões de euros de perdas para um banco que vai continuar privado." 
 
Sobre os passos a dar em alternativa à venda ao Lone Star, respondeu que "nesta altura é preciso que o governo tome alguns passos. O governo sabe que o governo não tem maioria no parlamento. A hipocrisia da direita não ajuda. Foi a direita que permitiu que Portugal fosse utilizado como cobaia de uma solução que correu tão mal que não foi aplicada em mais nenhum país. O governo decidiu não apresentar este problema no parlamento. Nós achamos que este tema dever vir à Assembleia da República, e o governo deve trazer esta venda ao parlamento."