Presidenciais

“Os herdeiros de Passos Coelho não vão ter coragem de se levantar contra Montenegro”

05 de janeiro 2026 - 13:02

Na feira de Espinho, Catarina Martins afirmou que os candidatos que nesta campanha já se colaram ao mandato do ex-primeiro ministro que tentou cortar pensões contra a Constituição nada farão quando o atual governante quiser “colocar as gerações mais jovens todas a contrato a prazo”.

PARTILHAR
Catarina Martins na feira de Espinho
Catarina Martins na feira de Espinho. Foto de Bruno Moreira.

A campanha presidencial de Catarina Martins passou pela feira de Espinho na manhã de segunda-feira e a candidata começou por partilhar um “desabafo” repetido nas feiras onde tem passado de norte a sul do país. “Os vendedores sentem que se faz tudo para privilegiar os hipermercados e nada para que os mercados possam existir”, afirmou Catarina, acrescentando que “esta revolta tem razão de ser”.

Catarina aproveitou o momento para fazer uma “homenagem a quem anda a vender nas feiras”, pois os feirantes “vendem mais barato, tratam melhor os produtores e vendem com muito melhor qualidade ambiental porque vendem o que é mais próximo”. Por outro lado, é às feiras “que vêm as pessoas com pensões muito reduzidas e ouvir estas pessoas é importantíssimo”, acrescentou. “Para defender quem tem tudo já há muitos candidato, mas para ouvir e defender quem está frágil estou aqui eu e é isso que vou fazer todos os dias nesta campanha”, prometeu a candidata.

Questionada pelos jornalistas sobre a entrada de Luís Montenegro na campanha eleitoral de Marques Mendes, Catarina respondeu que toda a gente já percebeu que Governo e Marques Mendes são o mesmo e preferiu destacar a entrada de outro e-primeiro-ministro, cuja herança é disputada por vários candidatos. “Cotrim de figueiredo diz que é o herdeiro de Passos Coelho, André Ventura faz o mesmo, Marques Mendes dirá também, António José Seguro começou a campanha a dizer que voltaria a deixar passar os Orçamentos de Passos Coelho”, recordou.

E quando Seguro viabilizava esses Orçamentos, “eu estava do outro lado, com Mário Soares e deputados socialistas a ir ao Tribunal Constitucional para repor salários e pensões. Representamos formas diferentes de ver a República”, prosseguiu Catarina.

“Quem começou por se colar à direita para depois - só quando percebeu que dava jeito com as sondagens - tentar dizer alguma coisa de esquerda, se for eleito provavelmente vai estar tão bem com Montenegro como esteve com Passos Coelho”, diz a candidata prevendo também que “quando o Governo quiser colocar as gerações mais jovens todas a contrato a prazo, os herdeiros de Passos Coelho não vão ter coragem de se levantar contra Montenegro”.

Pelo seu lado, concluiu Catarina, “não ficarei a fazer o frete a nenhum governo para justificar o injustificável”. A candidata quer trazer a esta campanha “a consistência dos valores” e no seu caso isso passa por “defender as pensões e os salários”.

“Quanto mais cobardes forem os líderes europeus, mais perigoso fica o mundo”

Questionada pelos jornalistas se falta coragem aos líderes europeus para responderem a Donald Trump após o ataque à Venezuela, Catarina respondeu que “a coragem de dizer que o que Donald Trump está a fazer é inaceitável é a única forma prudente de estar no mundo”, pois “quanto mais cobardes forem os líderes europeus, mais perigoso fica o mundo”.

“Precisamos de líderes com coragem e em Portugal também. Eu defendo que todos os povos têm de ser respeitados. Agora querem ir à Gronelândia, quando é que pára?”, questionou a candidata, respondendo que “o que não é suficiente para parar Donald Trump é dizer-lhe sempre que sim” e dando o exemplo do Brasil, que “disse não e ganhou” quando Trump quis impor tarifas a todo o mundo.