Nas presidenciais, todos se afirmam defensores da democracia, dos valores constitucionais e do regime. Mas quando chega o momento de tomar uma posição clara, muitos desses "democratas" revelam-se incapazes de escolher.
Essa recusa em escolher não é neutra. Nunca foi. Quando se coloca no mesmo plano um candidato democrático e um candidato de extrema-direita, está-se a normalizar aquilo que devia ser frontalmente combatido. Ventura não é apenas mais um candidato no boletim de voto: é a expressão de um discurso autoritário, racista, misógino e de ataque sistemático a direitos fundamentais.
Há também uma responsabilidade política que não pode continuar a ser empurrada para os eleitores. Cabe a quem ocupa espaço público, cargos e influência assumir posições claras e não lavar as mãos em nome de uma falsa moderação.
Nas presidenciais, não escolher é escolher. E quem se recusa a traçar uma linha vermelha perante a extrema-direita está, conscientemente ou não, a contribuir para a sua legitimação.