A Organização Meteorológica Mundial apresentou esta terça-feira o relatório climático referente ao ano passado, tendo confirmado que esse foi o ano mais quente registado em 174 anos. Ao mesmo tempo, alerta-se que 2024 tem “alta probabilidade” de voltar a quebrar o recorde estabelecido. Fala-se assim num “alerta vermelho” que faz das alterações climáticas “o desafio essencial da humanidade”.
Em conferência de imprensa, a secretária-geral da organização, Celeste Saulo, sublinhou que houve um aumento da temperatura média anual de 1,45 graus relativamente à era pré-industrial e que este foi mais 12% do que no anterior ano recorde, em 2016, quando o aumento médio tinha sido de 1,29 graus. Fazendo as contas a dez anos, o período entre 2014 e 2023 foi igualmente o mais quente desde que há registos. A média registada entre 1850-1900 foi ultrapassada em 1,20ºC.
No documento constata-se ainda um aumento das ondas de calor marinhas que, em média, afetaram um terço dos oceanos todos os dias. Até ao final do ano passado, em mais de 90% dos oceanos tinha sido registada alguma onda de calor em algum período, com efeitos negativos profundos nos ecossistemas marinhos. E os glaciares de referência tiveram o maior recuo registado desde 1950, na sequência de um degelo extremo na parte ocidental da América do Norte e da Europa.
O relatório é claro em mostrar como ondas de calor, inundações, secas, incêndios florestais e a intensificação de ciclones tropicais estão a causar “a miséria e o caos”, afetando milhões de pessoas, e em atribuir este aumento ao aumento de concentração de gases com efeito de estufa.
Face a isto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, diz que o planeta está “à beira do colapso” e a “emitir um pedido de socorro”. Apesar da “poluição causada pelos combustíveis fósseis” estar a “provocar um caos climático sem precedentes” e de “cada fração de um grau de aquecimento global” ter “um impacto no futuro da vida na Terra”, o responsável máximo das Nações Unidas acredita que “ainda há tempo de lançar uma boia de salvação às pessoas e ao planeta”.
Foi Celeste Saulo quem usou a expressão “estamos em alerta vermelho” para designar o que se está a viver. No seu entendimento, o aquecimento, nomeadamente o dos oceanos, o recuo dos glaciares e a perda de gelo na Antártida são “motivo de grande preocupação”. E a crise climática representa “o desafio determinante que a humanidade enfrenta e está indissociavelmente ligada à crise das desigualdades, como evidenciado pela crescente insegurança alimentar, deslocação de populações e perda de biodiversidade”.