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ONU: Ataque a campo de refugiados é mais uma “atrocidade a atingir o povo de Gaza"

Maior campo de refugiados de Gaza bombardeado pelo segundo dia consecutivo. Chefe da missão humanitária da ONU lamentou que o mundo pareça “incapaz ou mesmo sem vontade de atuar” e apelou a "repetidas pausas humanitárias". Bloco considera vergonhosa posição do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o bombardeamento.
Destruição no campo de refugiados de Jabalia. Imagem Al Jazeera.

"Esta é simplesmente a última atrocidade a atingir o povo de Gaza, onde os combates entraram numa fase ainda mais aterradora, com consequências humanitárias cada vez mais terríveis", afirmou o chefe da missão humanitária das Nações Unidas, Martin Griffiths, em comunicado.

O responsável da ONU frisou ainda que "a incapacidade de atuar agora terá consequências muito além da região" e que esta "é uma crise global".

"Em Gaza, mulheres, crianças e homens estão a morrer de fome, traumatizados e mortos pelos bombardeamentos. Perderam toda a fé na humanidade e toda a esperança no futuro", referiu Martin Griffiths no regresso de uma viagem a Israel e à Cisjordânia.

O chefe da missão humanitária das Nações Unidas lamentou que o mundo pareça “incapaz ou mesmo sem vontade de atuar”. “Isto não pode continuar", vincou, apelando a "repetidas pausas humanitárias" nos combates para permitir a entrada de mais ajuda humanitária e para que o Hamas liberte os reféns.

Perto de 8800 pessoas foram mortas e milhares de outras ficaram feridas na sequência dos bombardeamentos lançados por Israel desde 7 de outubro.

Na terça-feira, os ataques aéreos israelitas deixaram uma extensa área de destruição no campo de refugiados de Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, com habitações de cimento de vários andares destruídas.

A Al Jazeera comunicou a morte de, pelo menos, 100 mortos e centenas de feridos. Os médicos do Hospital Indonésio de Gaza colocaram os mortos envoltos em panos brancos numa longa fila do lado de fora do hospital, procurando dar resposta aos feridos no meio do caos.

Esta quarta-feira, as forças israelitas voltaram a bombardear o campo de refugiados de Jabaliya, fazendo um número ainda indeterminado de vítimas. Existe o receio de que centenas de pessoas estejam soterradas sob os escombros.

Entretanto, Faixa de Gaza está novamente isolada do mundo, com um novo apagão nas comunicações.

Bloco considera “uma vergonha” posição de ministro sobre bombardeamento

Na sua conta na rede social X, o líder parlamentar do Bloco considerou “uma vergonha” a posição manifestada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o bombardeamento ao campo de refugiados.

“Uma vergonha de posição do ministro dos Negócios Estrangeiros [João Gomes Cravinho]. Nem uma palavra sobre a responsabilidade de Israel no ataque que já foi assumido, nada sobre cessar-fogo como pede a ONU, nenhuma condenação da punição coletiva como fez António Guterres”, escreveu Pedro Filipe Soares.

Na mesma mensagem, o líder da bancada bloquista reclama um cessar-fogo imediato entre Israel e o Hamas, o “fim ao genocídio” e a libertação de reféns civis.

 

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