Numa carta aberta ao presidente queniano William Ruto, 300 Organizações Não Governamentais denunciaram a influência a empresa privada de consultoria McKinsey na realização da Cimeira Africana do Clima que decorre entre 4 e 6 de setembro em Nairobi.
Oficialmente, o encontro serviria para lançar uma visão africana da luta contra as alterações climáticas. Mas, para estas organizações, a influência da McKinsey significa um “desvio” das preocupações dos países africanos em benefício dos interesses ocidentais.
Dizem que a consultora está muito implicada na construção da agenda e que esta “não representa os interesses de África mas os das empresas e governos ocidentais”.
Um dos pontos que denunciam é o papel atribuído ao mercado de créditos de carbono. Para eles, trata-se de uma “falsa solução” que acaba por atribuir às empresas ocidentais um “direito a poluir”. Outra das questões levantadas é a secundarização de questões como a eliminação dos combustíveis fósseis e o investimento em energias renováveis.
Como alternativa ao que tem vindo a ser preparado, propõem que o presidente queniano altere os preparativos da cimeira e atribua a “um grupo de peritos dirigido por africanos” o papel de construir uma nova agenda para a reunião.