Onde vai passar a Caravana pela Justiça Climática?

17 de março 2022 - 15:03

De 2 a 16 de abril, ativistas vão percorrer mais de 400 quilómetros por entre "as linhas da frente da crise climática" em Portugal e debater diariamente com a população de mais de 30 localidades. O percurso foi divulgado esta terça-feira.

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Em conferência de imprensa, os organizadores da Caravana pela Justiça Climática apresentaram esta terça-feira a agenda e o percurso da iniciativa que conta já com a adesão de mais de 30 organizações e movimentos ligados a causas ambientais, de desenvolvimento local ou pelo património cultural. Trata-se de "um percurso de mais de 400km, feito a pé e de comboio por ativistas de vários movimentos e comunidades locais, com contato direto e diário com as linhas da frente da crise climática e ambiental, diálogos com as comunidades em mais de 30 localidades e denúncia das principais infraestruturas emissoras e poluentes do país".

A caravana arranca a 2 de abril junto à celulose da Celbi, na Leirosa (Figueira da Foz) e passa também pela vizinha celulose da Navigator. O tema das celuloses e da erosão do litoral do Mondego dará o mote ao debate das 18h no Parque das Abadias, na Figueira da Foz. O dia seguinte leva a caravana até Montemor-o-Velho, com debate as 17h30 sobre o "rio, agricultura, floresta e gentes" no Teatro Ester de Carvalho e inclui a passagem pela central a gás da EDP em Lares. O dia 4 tem como destino Coimbra e uma passagem pela cimenteira Cimpor de Souselas, antes de um debate às 18h nas Escadarias monumentais sobre os jovens e a crise climática. No dia 5, o percurso faz-se até Podentes, com paragem na Bioreserva da Senhora da Alegria. No dia 6 o destino é Ferraria de São João com um debate na praça da aldeia acerca do projeto local que aposta na plantação de espécies autóctones para prevenir os incêndios florestais.

A floresta é uma das linhas da frente da crise climática e os ativistas alertam que "as celuloses com apoio dos governos tornaram o interior uma zona de sacrifício". Os dias 7 e 8 irão percorrer localidades do concelho de Pedrógão Grande, devastado pelos incêndios de 2017, com debates nas localidades de Figueira e Graça, além da sede do concelho. No dia 9, a regeneração e planeamento da floresta serão discutidas em Cernache do Bonjardim, depois de uma passagem pela barragem do Cabril.

A 10 de abril, a caravana terá um debate sobre economia circular na Praia Fluvial de Aldeia Ruiva e parte com destino a Proença-a-Nova, onde no dia 11 discute a construção de um futuro menos vulnerável ao fogo. No dia 12 as celuloses voltam ao percurso da caravana, com passagem pelas da Navigator e Celtejo em Vila Velha de Ródão e um debate ao fim da tarde em Mouriscas sobre o Tratado da Carta da Energia.

Nesta fase, a caravana abordará outra linha da frente da crise climática: a da preservação dos rios que estão a ser "profundamente degradados por atividades industriais - cimenteiras, pecuária e pelo agronegócio, incluindo pelas celuloses". Os ativistas criticam que "a única resposta do sistema" seja "a construção de mais obstáculos nos rios, que favorecem perder água ainda mais intensamente, destroem os habitats e as espécies e degradam a qualidade da água". Por isso querem chamar a atenção para a necessidade de "travar a insanidade de construir mais barragens e projetos megalómanos para regar uma agricultura insana para 2022".

A reta final da caravana inicia-se no dia 13 com destino a Abrantes e passagem pela central a gás da Trustenergy no Pego, além de debate no Parque Tejo sobre a Convenção de Albufeira e "os caudais ecológicos que não vêm de Espanha". No dia 14, a caravana passa pela Celulose do Caima em Constância e vai debater o Projeto Tejo e o Ecoparque do Relvão ao fim da tarde em Vila Nova da Barquinha. No dia 15 visita a zona do Projeto Tejo em Valada e debate no Cartaxo o agronegócio e a agroecologia. A etapa final, a 16 de abril, conta com uma passagem pela Cimpor de Alhandra e culmina numa manifestação no Parque das Nações, em Lisboa.

Para a logística da caravana estão assegurados transporte em autocarro de Lisboa para o ponto de partida, na Leirosa, a 2 de abril, com o restante percurso a ser feito a pé e de comboio. As dormidas serão feitas em tendas, pavilhões, seminários e parques de campismo. Os participantes podem fazer todo o percurso ou apenas parte do trajeto da caravana. Mais informações podem ser obtidas no site da caravana, onde também são recolhidas as inscrições para participar.  

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