A pré-campanha presidencial de Catarina Martins passou esta quarta-feira por Faro, para um encontro com profissionais de saúde da Unidade de Saúde Familiar Ria Formosa. Sem deixar de referir que é “insuportável continuarmos a ver notícias de mulheres que têm os filhos na estrada” ou sobre o “desespero quotidiano de quem precisa de uma consulta e está à espera meses ou anos”, Catarina quis destacar a importância dos cuidados primários de saúde e o exemplo desta unidade onde “os médicos têm as listas completamente preenchidas até ao máximo que a lei permite, além de um Serviço de Atendimento Permanente para quem não tenha médico de família e ainda fazem acompanhamento de mulheres grávidas que não têm médico de família”.
Presidenciais
“Não aceito um país em que se trabalha cada vez mais horas por cada vez menos dinheiro”
“Aqui temos profissionais de saúde que fazem tudo o que podem para acompanhar os utentes mesmo quando o Estado falha porque não há as condições necessárias”, sublinhou Catarina, apontando a necessidade de trazer para o SNS mais médicos e profissionais de saúde em geral.
Mas estes profissionais “continuam a ter carreiras que muitas vezes não são minimamente atrativas, continuam a estar embrulhados em burocracias sem fim, continuam sem salários que correspondam às responsabilidades que têm e aos horários que fazem, e por isso os concursos ficam vazios”, como ocorreu este fim de semana.
A candidata às eleições presidenciais diz que o exemplo do Algarve “é emblemático: é uma região que pode ter enorme qualidade de vida, há universidade e tecido económico pujante. O problema é a habitação. Dizia-me uma médica de família: entre pagar uma casa e ter de pagar uma creche, o que é que fica do salário?”.
“Onde não há casas não há médicos, não há professores, não há forças de segurança”, prosseguiu Catarina, opondo-se a um modelo de SNS “completamente dependente de tarefeiros que ganham num dia o que não ganha às vezes um médico dedicado ao SNS num mês”. Se a Constituição prevê o acesso dos cidadãos à saúde, então “quando não está a acontecer o acesso à Saúde, uma Presidente da República terá de utilizar a sua voz”.
Comentando o anúncio do Governo do aumento dos benefícios fiscais aos senhorios que cobram rendas de 2.300 euros, Catarina contrapõe que “um médico não ganha para pagar essa renda. Quem é que ganha para pagar essas rendas que o Governo acha normais?”, questionou.
“Continuarmos a dar benefícios fiscais a fundos de investimento que arrendam casas que nenhum português consegue pagar é contra o princípio constitucional do direito à habitação”, defendeu Catarina, indicando que a proposta teria o seu veto político, pois “a crise da habitação no nosso país é também a crise da saúde, da educação, dos serviços públicos e da economia”.