Catarina Martins falou esta segunda-feira aos jornalistas na biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa, para assinalar a importância do “primeiro feriado civil instituído em 1910, quando a República foi implementada” e que celebra neste dia 1 de dezembro a restauração da independência de Portugal.
“Em 2012, o governo do PSD/CDS acabou com este feriado e com outros”, recordou Catarina, acrescentando que só regressaram em 2016 pela mão da esquerda. Por isso escolheu este dia para falar do direito ao descanso de quem trabalha em Portugal, agora ameaçado pela “decisão do Governo de propor alterações laborais que tornam mais difícil um a vida que já é tão difícil”.
Presidenciais
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Num país onde que se trabalha quase mais 3 horas por semana do que a média europeia e os salários estão abaixo da média europeia, “o Governo está a propor aos trabalhadores que aceitem mais horas de trabalho e que aceitem menos salário”, prosseguiu Catarina, afirmando que esta medida “ainda vai retirar mais direito ao descanso a um país onde já se trabalha tantas horas por tão pouco salário”.
“Não aceito um pais em que se trabalha cada vez mais horas por cada vez menos dinheiro”, disse a candidata às eleições presidenciais, defendendo que o país precisa “de uma economia qualificada e não de uma economia de baixos salários e longas horas de trabalho”.
Catarina Martins considerou um “erro profundo” que o Governo não tenha ainda recuado ou sequer dado algum sinal “de compreender que em Portugal o que nós precisamos não é de cortar salários nem mais horas de trabalho, mas pelo contrário, é de mais emprego qualificado com melhor salário e menos horas de trabalho”.
Questionada pelos jornalistas sobre as declarações da ministra do Trabalho a ameaçar impor a requisição civil caso considere insuficientes os serviços mínimos na greve geral de 11 de dezembro, Catarina respondeu que as greves gerais em Portugal não são comuns e que a última foi há mais de dez anos, o que prova a gravidade da proposta do Governo para a vida de quem trabalha. “O Governo não tem nada de criar nenhuma suspeição sobre os trabalhadores que planeiam fazer greve e que sempre cumpriram os serviços mínimos para que as funções fundamentais do Estado não estejam em causa”, afirmou a candidata às presidenciais.