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OE'2021: Catarina Martins pede sensatez para reforçar SNS e proteger o emprego

A coordenadora do Bloco também reafirmou nos Açores que é preciso haver uma proteção social que “não deixe as famílias abaixo do limiar da pobreza” e que é preciso não permitir que a Lone Star continue a receber dinheiros sem uma auditoria.
Catarina Martins na Região Autónoma dos Açores, fazendo declarações à comunicação social – foto esquerda.net
Catarina Martins na Região Autónoma dos Açores, fazendo declarações à comunicação social – foto esquerda.net

Não podemos dizer a estas pessoas que o Orçamento do próximo ano não lhes contempla apoio”

A coordenadora do Bloco de Esquerda está esta sexta-feira nos Açores, apoiando a campanha bloquista para as eleições regionais de 25 de outubro próximo.

Em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Catarina Martins encontrou-se com a associação representativa dos guias turísticos, que perderam emprego e rendimento com os efeitos da pandemia.

Em declarações à comunicação social, a coordenadora bloquista salientou que estes trabalhadores, que vivem do turismo, têm rendimentos sobretudo entre março e outubro e que, “como a pandemia começou em março, significa que desde novembro não têm rendimento”.

“Os apoios que foram criados, os apoios extraordinários, deram-lhes durante este ano algum pequenino apoio, muito pequeno mas ainda assim algum apoio”, afirmou Catarina Martins, alertando que “o que está a ser neste momento proposto pelo Governo no orçamento do Estado é na verdade a negação do apoio que estes trabalhadores estão agora a receber”.

Aqueles que conseguiram ter acesso ao subsídio de desemprego vão vê-lo acabar no início do próximo ano e deixam de ter acesso a ele "porque o Governo se recusa a estender o subsídio de desemprego”, sublinhou. “Os que não têm acesso a subsídio de desemprego e tiveram acesso aos apoios extraordinários para trabalhadores a recibo verde, com a proposta de Governo no Orçamento do Estado, em vez de um apoio muito pequenino, de 438 euros, passarão a receber metade, 219 euros”, frisou.

“Por isso, temos dito que é essencial que no Orçamento haja uma resposta de apoio social que permita às pessoas sobreviver a uma pandemia, que infelizmente não vai acabar este mês e vai continuar a provocar perda de rendimentos e desemprego durante o próximo ano”, afirmou Catarina Martins, salientando que por isso é muito importante que os apoios no próximo ano não fiquem mais pequenos.

“Estas pessoas não podem ficar sem nada, não podemos dizer a estas pessoas que o OE do próximo ano não lhes contempla apoio”, reafirmou.

É muito importante ter sensatez para construirmos soluções para o país”

Questionada sobre a declaração de António Costa de que “o OE só não é aprovado se não há bom senso”, Catarina Martins afirmou: “Julgo que é muito importante ter sensatez e sentido de responsabilidade, neste momento, para construirmos as soluções para o país”.

A coordenadora bloquista salientou então quatro questões que o Bloco de Esquerda tem apontado:

“Em primeiro lugar é preciso ter uma proteção social que se estenda durante o próximo ano e que não deixe as pessoas sem nenhum apoio, não deixe as famílias abaixo do limiar da pobreza”. “Esta solidariedade é fundamental entre todos nós”, frisou.

Em segundo lugar, apontou que são precisos apoios à economia, “mas devem ter como contrapartida garantias de emprego e de salário”. “Por isso, é preciso impedir despedimentos nas empresas que têm acesso aos apoios”, sublinhou.

Em terceiro lugar, apontou que “é absolutamente necessário que o SNS responda às pessoas e para isso não basta dizer que se quer contratar médicos. É preciso encontrar os mecanismo para que os concursos dos médicos não continuem a ficar vazios, como têm ficado até agora”.

Em quarto lugar, Catarina Martins considerou que “ninguém compreenderia que o parlamento se comprometesse com mais dinheiro para a Lone Star, acionista maioritário do Novo Banco, sem antes haver uma auditoria que investigue o que se está a passar”.

Questionada sobre a acusação feita por um deputado do PS de que as suas afirmações em relação ao dinheiro para o Lone Star “estão baseadas numa mentira”, Catarina Martins afirmou:

“Eu centro-me no que têm dito as pessoas com quem tenho negociado o Orçamento do Estado e com quem temos tido reuniões e procurado soluções. Registo que o ministro das Finanças reconhece que este Orçamento dá 200 milhões de euros do Fundo de Resolução, um fundo com dinheiro público, para ir para o Novo Banco, a que acresce o empréstimo que os bancos fazem ao Fundo de Resolução, que vai ficar mais endividado e o Estado terá que pagar, no total mais de 400 milhões de euros”.

Termos relacionados Orçamento do Estado 2021, Política
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